Prefácios, apresentações e participações diversas em trabalhos de outros artistas

Os olhos da nossa infância

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A nossa terra é o lugar onde nascemos, mas é também muitos outros: são os lugares onde vivemos, onde sofremos, onde amamos, onde somos felizes ou infelizes. Por isso, eu, que sou de Ílhavo, sou também de Lisboa, e do Porto, e de Havana, e de todas as cidades onde estive e que me deixaram marcas nos olhos, no corpo e na alma. O Zé António fez outros percursos, igualmente distantes. E manteve-se em certa medida mais ilhavense do que eu. Mas, no que aos caminhos da memória diz respeito, creio que as nossas histórias, embora diferentes no tempo, estão muito próximas no espaço. E muito daquilo que se passava na Rua Suspensa dos Olhos do Ábio de Lápara, passava-se de modo semelhante na Rua da Capela da minha infância. 

Apresentação de A Rua Suspensa dos Olhos, de Ábio de Lápara | 2015

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A liberdade, ainda

+  A liberdade, ainda

A urgência das palavras e dos cantos, a premência das vontades e dos sentidos, porque tudo era realizável, e nós sabíamos. Naqueles dias, era assim. (...) De Abril, diz-se, já resta pouco. Mas ainda assim não tão pouco. Porque há vontades que não se vergam, paixões que nunca acabam, vivências que permanecem. E há a liberdade, ainda, origem e razão de ser deste grupo e da música que ele faz. De todas as esplendorosas criações que a Revolução dos Cravos permitiu, a Brigada Victor Jara é com certeza uma das mais duradouras. E quer-me parecer que assim será, ainda, por muitos anos mais. Porque a massa de que esta Brigada é feita vem de longe e vai para longe. E nós com ela.

Incluído na colectânea Ó Brigada, de Brigada Victor Jara | 2015

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Cantares de um homem livre

+  Cantares de um homem livre

Se Mário Mata fosse um pássaro seria com certeza um melro ou um pardal ou mesmo uma gaivota. Nunca poderia ser um canário, pela simples razão que não seria capaz de sobreviver numa qualquer gaiola, por mais dourada e confortável que fosse.
O Mário é um homem livre, e dessa condição não prescinde, mesmo quando essa opção dói. E geralmente dói.
É disto tudo que nos fala neste disco: de si e dos outros, da vida e das coisas simples, de Lisboa e do mundo, de portugueses burocráticos e neuróticos, mas também dos que ainda não desistiram.

Introdução ao CD Sinais do Tempo, de Mário Mata | 2012

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A princesa das ilhas

+  A princesa das ilhas

A música de um lugar reflecte sempre as características do povo que nele habita, e talvez por isso as toadas açorianas tenham por regra um toque de nostalgia muito próprio das ilhas, misturado com a força de quem se habituou desde sempre a conviver de um modo singular com as forças da natureza. (...) É essa essência que Helena persegue e alcança neste disco. À voz clara da cantora acresce a riqueza dos arranjos, vocais e instrumentais, a excelência da execução musical, o rigor da produção – a cargo de um músico sobre quem a proximidade familiar me impede de tecer grandes considerações, de resto desnecessárias: o trabalho está aí para que cada um possa avaliar. Basta saber ouvir.

Introdução ao CD EssênciasAcores, de Helena Oliveira | 2011

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Era uma vez uma Nina

+  Era uma vez uma Nina

Era uma vez uma menina nascida num país que já não existe. A história de Nina Govedarica poderia começar assim, mas a sua biografia está bem longe de ser um conto de fadas. Os olhos dela já viram mais do que à generalidade dos humanos costuma ser concedido, e nem tudo o que viu foram coisas belas.
Nascida em Zagreb no início dos anos 70 do século passado, Nina Govedarica licenciou-se em Engenharia, mas seria na pintura que encontraria o caminho e a razão de ser da sua vida.

Do catálogo de Contos sobre a floresta, ..., de Nina Govedarica | 2011

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A voz do desassossego

+  A voz do desassossego

«Águas das fontes calai / ó ribeiras chorai / que eu não volto a cantar…» Por um instante, a voz de Zeca estremece e emociona a plateia, onde muitos não conseguem conter as lágrimas perante a crueza premonitória deste verso, aquele que ainda hoje em primeiro lugar me ocorre de cada vez que penso nessa noite mágica de 29 de Janeiro de 1983. Raras vezes um tema musical terá sido tão perturbador para um auditório como o foi essa Balada de Outono cantada por José Afonso no palco do Coliseu dos Recreios. Nenhum de nós o dizia, mas todos sabíamos que aquela era, com certeza, a última vez que o teríamos ali connosco, a cantar como só ele as coisas que mais ninguém sabia fazer assim.

Introdução ao DVD Ao Vivo no Coliseu, de José Afonso | 2010

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O fumo e o fogo

+  O fumo e o fogo

Acabo de ler esta história, e apetece-me acender um cigarro. Não é politicamente correcto dizê-lo, e menos ainda fazê-lo: o higienismo e a lei, ou vice-versa, dizem que fumar mata. Claro que a vida também mata, e em meio século de existência ainda não conheci ninguém que lhe conseguisse sobreviver. Mas isso não é preocupação dos legisladores, empenhados que estão em conseguir que morramos todos cheios de saúde.
Pouco importa. Este aparente desacerto da prosa vem a propósito de mais uma ficção que Nuno Gomes dos Santos agora dá a conhecer em forma de livro.

Prefácio a Reserva de Fumo, de Nuno Gomes dos Santos | 2009

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Silêncios sem preço

+  Silêncios sem preço

Agora, António Ferra propõe-nos estes Silêncios Comprados. São três histórias de subúrbios e de gente igual a toda a gente. Neste livro há personagens que vivem «entalada[s] entre marquises de alumínio» em bairros onde os passeios «estão cheios de carros mal intencionados», há imigrantes ucranianos e brasileiros e sãotomenses, uma mulher mal-casada com um tecnocrata (o que até é capaz de ser um bocado pleonástico...), um cão à chuva, gente à procura dos significados do amor nas escadas intermináveis de um prédio de Lisboa. São gente sem rosto, mas com nome, afinal gente igual a toda a gente, com as mesmas angústias, os mesmos medos, as mesmas dúvidas.

Apresentação de Silêncios Comprados, de António Ferra | 2007

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O pássaro da ilha

+  O pássaro da ilha

O Zeca é um pássaro. Ele canta, encanta, inventa e reinventa, sem nunca cansar quem o ouve – e que o vê. Porque ver o Zeca é tão importante como ouvi-lo. Há quem o compare a Tom Waits, mas em palco ele faz sobretudo lembrar Jacques Brel – na entrega, no modo inteiro como interpreta as suas canções de amor e mágoa, esperança e desencanto e saudades de um futuro em que não desiste de acreditar, mesmo se o presente tantas vezes parece empenhado em desmenti-lo.

Introdução ao espectáculo de José Medeiros no Teatro Micaelense | 2007

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Zeca de corpo e alma

+  Zeca de corpo e alma

Tenho para mim que o mais difícil de cada vez que alguém pretende fazer novas versões de temas antigos – sobretudo de canções tão marcantes como são, por regra, todas os de Zeca – é que não basta ser fiel à forma e ao conteúdo dos originais, mas é sobretudo importante manter intacto o seu espírito. Porque cada canção tem uma alma própria, que é preciso respeitar e manter intacta, por maiores que sejam as transformações, legítimas, que o corpo possa sofrer. E é isso que se sente neste disco ..

Introdução ao CD Abril, de Cristina Branco | 2007

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Fados & Desgarrados

+  Fados & Desgarrados

Fados & Desgarrados não é um simples livro de estreia de um autor recente. Isto porque nem o José Xavier Ezequiel é um autor recente no sentido mais rigoroso da expressão, nem estes Fados, pela sua estrutura e pela consistência que apresentam, têm as características habituais de uma «primeira obra».
Trata-se, como afirmou Mestre Dinis Machado de «uma história revitalizada de ‘tristes, solitários e finais’, na expressão de Chandler depois recuperada por Osvaldo Soriano, e que foi durante muito tempo emblema do romance negro». Mas eu atrevo-me a dizer que é também algo mais do que isso.

Apresentação de Fados & Desgarrados, de José Xavier Ezequiel | 2007

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Cantigas de antes e depois de Abril

+  Cantigas de antes e depois de Abril

«Grândola, vila morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade...» Vinte minutos passados sobre a meia-noite, os versos iniciais da canção de José Afonso fizeram-se ouvir por todo o país. Através do programa Limite, a Rádio Renascença entrava para a história como a estação de rádio que transmitia a confirmação para a saída dos quartéis dos militares que se preparavam para derrubar a mais velha ditadura da Europa. Era o princípio do fim de 48 anos de um regime político obtuso, nascido entre gritos e lágrimas, mas destinado a terminar no meio de uma grande festa.

Introdução a E Depois do Adeus, antologia de canções | 2007

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O sonho de um homem

+  O sonho de um homem

A aventura começou no último ano da década de 60. Viviam-se então em Portugal os tempos cinzentos de uma ditadura em fim de carreira mas nem por isso mais amena. Um ano antes, Salazar caíra da cadeira e fora substituído no poder por Marcelo Caetano, cujos tímidos sinais de abertura cedo se revelaram uma encenação destinada a domesticar os mais crédulos: a PIDE foi rebaptizada como Direcção-Geral de Segurança, mas permaneceu intacta nos seus propósitos repressivos de tudo quanto pusesse em causa a ordem estabelecida; a Censura travestiu-se de Exame Prévio, mas nunca deixou de estar ferozmente atenta ...

Introdução a Entrevistas MC - Volume 1 | 2005

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O tempo, à esquina

+  O tempo, à esquina

O que vão ler é obra de um poeta que tem um percurso singular: nascido e criado em Lisboa passou pelas mais importantes tertúlias artísticas dos anos 60 e 70, escreveu canções, pintou quadros, viveu e deu corpo a muitas lutas ao longo das últimas décadas. Ainda assim, leva mais de trinta anos que não se faz publicar em livro, sem que para tal haja explicação coerente. Aconteceu, é a vida. E a vida de João Videira Santos já leva muito que contar: da poesia, claro está, mas também dos encontros, dos empenhamentos, das viagens.

Prefácio a Esquinas do Tempo, de João Videira Santos | 2005

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O Parque e a gente

+  O Parque e a gente

As pessoas são sempre aquilo que de mais importante nos fica dos lugares por onde passamos. Quando ancorei em Lisboa, há mais de vinte e cinco anos, o Parque Mayer já não ocupava o lugar central da boémia artística de Lisboa que fora seu, por direito conquistado, durante várias décadas. Mas continuava a ser um espaço de encontro de gentes diversas, palco de histórias umas mais amorais do que outras, lugar de sonhos de todas as cores.

Do programa de A Revista é Linda | Teatro Maria Vitória | 2005

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A magia da criação

+  A magia da criação

Luísa Amaro é como se chama a mulher que dá vida e alma a estas músicas, seguida de perto por Miguel Carvalhinho. Habituámo-nos a ouvir a guitarra portuguesa tocada por mãos viris, mas o que aqui se nos revela é um lado outro desse instrumento delicado, talvez aquilo que explica o segredo dos mestres, sabedores de que a guitarra é um ser sensível, guardador de muitas emoções, nem sempre ao alcance da vontade de quem a toca.

Introdução ao CD Canção para Carlos Paredes de Luísa Amaro | 2004

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Um metro de vida bem medido

Podia começar por dizer-vos o óbvio: que não estou aqui hoje por outros méritos para lá do da amizade, o que poderia tornar suspeita a minha leitura deste «Um Metro de Vida». Mas se a amizade é longa – e, sobretudo, cheia de cumplicidades criadas nos percursos todos que já partilhámos – se a amizade é longa, dizia, então por maioria de razões tenho a obrigação de ser autêntico. O Nuno Gomes dos Santos escreve sobre pessoas vivas. Assim foi nos tempos do «Diário de Lisboa» e de «O Diário», do «Se7e» e do «Musicalíssimo», d’«A Capital» e d’«O Primeiro de Janeiro», jornais onde deixou marcas e uma parte importante da sua vida. Assim é nas canções que escreve e canta, e também nos livros que vem publicando desde há uma dúzia de anos.

Apresentação de Um Metro de Vida, de Nuno Gomes dos Santos | 2004

+ Um metro de vida bem medido

Elogio da inocência

+  Elogio da inocência

Naquele tempo éramos todos imortais. Havia mais mundos para lá do mundo que nos era dado conhecer e onde nos era permitido viver. E nós sabíamos. Era o tempo das coisas inevitáveis, como a realidade imaginada, a noite a descobrir, o sonho, a urgência das coisas para viver. E nós vivíamos. E inventávamos sons e momentos, da mesma forma rigorosa e apaixonada com que fazíamos crescer os silêncios até o seu clamor invadir tudo. Foi nesse tempo e dessa forma que o Geraldo se tornou meu irmão. Ele era imortal, como eu, e os imortais sabem sempre reconhecer os da sua laia.

Prefácio a Cravos com Espinhos, de Geraldo Alves | 2003

+ Elogio da inocência

A culpa é do Manel

+  A culpa é do Manel

Num tempo em que se abatem inutilmente tantas árvores para dar à estampa as mais incríveis aberrações paraliterárias, sabe bem ler uma prosa tão escorreita, tão depurada e sobretudo tão honesta como a deste Daniel Abrunheiro. Que navega com igual à-vontade no registo poético de «Pomba» como no tom vagamente surreal de «Máscara», atento à realidade sem se tornar seu escravo, capaz de ordenar o mundo de trás para a frente sem que o mundo deixe de fazer sentido.
Estes textos de Daniel Abrunheiro revelam um autor que conhece bem o valor dos silêncios que tantas vezes se escondem por trás das palavras. E que sabe, tal como diz uma das suas personagens, que o ruído não é mais do que «o silêncio que não sabemos ler». Aprendamos, então.

Posfácio a Cronicão, de Daniel Abrunheiro | 2003

+ A culpa é do Manel

Nós, os que voámos

+  Nós, os que voámos

Éramos jovens e pensávamos. Lembro-me: a cidade ainda não existia, Ílhavo era apenas Ílhavo, heróico poema das canções do Professor Guilhermino, vila maruja dada a devaneios de aquém e de além mar, traduzidos em histórias que o tempo transformou em lendas. Lembro-me dos doidos e dos outros, dos temores e das dúvidas, dos silêncios, dos beijos tímidos. Lembro-me também que por vezes era de noite e levavam-nos os amigos ou a família, para a guerra ou para a prisão. Havia medo, apesar da inocência que exibíamos nesses tempos. Mas havia também outra gente e outra ainda, muita gente. E foi assim que se chegou ao tempo da revolução, o tempo da revelação.

Prefácio a Marginal - Poemas breves e cantigas, de Vieira da Silva | 2002

+ Nós, os que voámos

Macacos à solta nas ruas do mundo

+  Macacos à solta nas ruas do mundo

Quem os ouve pela primeira vez não pode deixar de sentir um estremecimento prazenteiro. É impossível catalogar estes sons, simultaneamente tão estranhos e tão familiares, que revolvem o nosso imaginário misturando as lembranças de filmes antigos, histórias e memórias, tradições e sentimentos. À semelhança das filarmónicas tradicionais, preenchem qualquer ambiente festivo onde se encontrem, mas tal como qualquer jazzband vão sempre mais além na execução da música que dão a ouvir.

Nota introdutória ao CD Macacos das Ruas de Évora | 2002

+ Macacos à solta nas ruas do mundo

A grande telha de Kowlasky

É suposto este ser um texto sério, dado que de seriedade (humana e artística) se trata quando falamos desta dupla imparável. De um lado, Avelino do Carmo, lisboeta de Alcântara desde 1952, pintor de sombras intimistas; do outro lado, Mário Alberto, alentejano nascido no Verão de 1925 na cidade de Lubango, quando Angola ainda era a soit disant colónia portuga e que aprendeu há muito a arte de pegar nas cores e transformá-las como um alquimista.

Apresentação de Díptico Kowalsky, de Avelino Carmo e Mário Alberto | 2000

+ A grande telha de Kowlasky

O mundo segundo Carlos Paredes

+  O mundo segundo Carlos Paredes

Tenham a bondade, senhoras e senhores. Instalem-se bem. Depurem os tímpanos e afaguem a alma, para que não percam uma só nota daquilo que vão ouvir. Estes sons raros e delicados vêm de uma antiquíssima galáxia povoada de gente boa, onde o mais importante são os Amigos e as infinitas formas de partilhar com eles os sentimentos, os afectos, as emoções. Os Amigos, então. São eles, mais do que a própria guitarra que tanto venera, aquilo que acima de tudo importa no universo de Carlos Paredes. À volta da música surge a conversa, sempre em busca de um superior conhecimento do mundo. Para Mestre Paredes, as coisas são tão simples como respirar: «As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. Não há mais nada.»

Introdução ao CD O melhor de Carlos Paredes | 1998

+ O mundo segundo Carlos Paredes

Cantigas de antes do Maio

+  Cantigas de antes do Maio

«Quando se caminha para a frente ou para trás, ao longo dos dicionários, vai-se desembocar na palavra Terror», escrevia, então, Herberto Helder. Nesse tempo de silêncios são poucos os artistas que se erguem contra esta mansidão angustiada. (...) Fora de jogo, dispostos a arriscar e com vontade de abrir novos caminhos, meia dúzia de vozes isoladas fazem-se ouvir em lugares diferentes e de modos diversos: a poesia de Manuel Alegre e Fernando Assis Pacheco, a partir de Argel e Nambuangongo; as vozes claras de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, em Coimbra; José Mário Branco e Luís Cília, no exílio de Paris. E José Afonso, professor de liceu, cantor nas horas vagas e activista por conta própria.

Introdução à reedição em CD de Baladas e Canções, de José Afonso | 1997

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O regresso de Karlos Starkiller

+  O regresso de Karlos Starkiller

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas e Karlos Pombo Capador Starkiller voltam a encontrar-se, mais de uma dúzia de anos depois de se terem cruzado pela primeira vez numa rua estreita do Bairro Alto. Nessa altura, Starkiller estava de partida para o outro lado do mundo, fugido à modorra chata de Lisboa, atrás de aventuras alucinantes que iria viver na companhia de malta tão curiosa como a Olga Punk, o irmão Lince, Chiquita, o Ianqui Louco, D. Juanito e o mais coerente super-herói que me foi dado conhecer, o Capitão Latino-América.

Prefácio a Karlos Starkiller, de Fernando Relvas | 1997

+ O regresso de Karlos Starkiller

Dos copos até à ponta

+  Dos copos até à ponta

Portugal, que como país de poetas já é o que se sabe, corre o risco de se tornar também num país de pensadores: Santana Lopes pensa no estrangeiro, Manuel Monteiro pensa devagar, José Magalhães pensa via internet, enquanto Vasco Graça Moura pensa que voltará e Carlos Carvalhas continua apenso.

Catálogo da exposição Filosofia de Ponta, de Júlio Pinto e Nuno Saraiva | 1996

+ Dos copos até à ponta

A terra e a memória

+  A terra e a memória

O passado é o espelho enevoado de tudo o que fomos. O futuro é a visão difusa daquilo que queremos. Entre os dois extremos do tempo, correm os dias, morrem os sonhos, cumprem-se os rituais. É assim em todas as terras. Até na minha, que é uma terra igual às outras, com a diferença que é a minha e por isso sou mais dela do que das outras, mesmo se muitas terras já os meus olhos viram e amaram.

Prefácio a Da Minha Terra e de Seu Povo, de Joaquim Quintino | 1995

+ A terra e a memória

Viva quem canta

+  Viva quem canta

Não venho aqui para vos dizer que Pedro Barroso é o melhor cantor do mundo. Não venho falar de festivais ou de cantigas populares que certos divulgadores rádio-afónicos transformaram em produtos de consumo. Não venho sequer como mestre de cerimónias incumbido de apresentar um acto de variedades levado à cena num palco de ilusões.

Introdução ao LP Do Lado de Cá de Mim de Pedro Barroso | 1983

+ Viva quem canta

Mais sugestões de leitura

  • Fantasias de filho de pide Open or Close

    O juiz espanhol Crespo Márquez, que em 1965 acompanhou as investigações, em Badajoz, do assassínio de Humberto Delgado, considera «pura fantasia» a tese apresentada no programa «Repórteres», da RTP, pelo filho do sub-inspector da PIDE, Casimiro Monteiro, autor material do homicídio. Segundo o filho do pide, Monteiro teria disparado contra o general «em legítima defesa», um argumento que o processo conduzido pelo Tribunal Militar português, desmontou há mais de dez anos. Crespo Márquez manifestou junto dos familiares de Delgado a sua «estranheza» pela forma «absurda» como, em edição posterior do mesmo programa, foram utilizadas as suas declarações, produzidas há dois anos [1990] para a tele-reportagem «Crime sem Castigo», com o intuito de «corroborar as teses do filho do assassino».

    O Jornal | 16.Out.1992

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  • Um pássaro igual a ti Open or Close

    Com Zeca e os seus companheiros aprendemos, ainda, que é muito menos fácil formular perguntas que encontrar respostas. Que as veleidades da ‘vida artística’, na qual ele nunca se encaixou, são como os foguetes de romaria, que desaparecem no ar após um instante de brilho e que, portanto, o importante é estar vivo, ter como única certeza a inquietação permanente. Há coisas assim, que parecem impossíveis. Depois vêm as inevitáveis cortesias-de-velórios, mas quanto a isso estamos conversados. Afinal somos um país de homenagens póstumas, não é? Que o digam o Adriano, Jorge de Sena, Fernando Pessoa. Que o diga agora o Zeca, ele que foi sempre tão dado a encolerizar-se com estas coisas.

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  • Crime e castigo Open or Close

    A notícia da detenção, em Londres, do antigo ditador chileno Augusto Pinochet tornou-se no principal acontecimento deste fim-de-semana – e por pouco não conseguiu secundarizar o discurso de duas horas e meia de Fidel Castro no comício de solidariedade com Cuba, em Matosinhos.

    RCS | 19.Out.1998

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  • Da importância de agitar a malta Open or Close

    Os dias e os meses que se seguiram à Revolução de Abril deixaram uma marca de empenhamento na música portuguesa que ainda hoje se faz sentir. A canção de intervenção revisistada por Joaquim Vieira no documentário "A Cantiga Era Uma Arma".

    A Cantiga Era Uma Arma
     RTP | Levoir | Público 2016

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