Alguns textos publicados na Imprensa durante os anos 90 do século XX | Selecção de crónicas, entrevistas e reportagens

Percursos do marginal de sucesso

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Tinha 51 anos, era casado com a Sara e pai do João, calçava 43 e só não participou no Maio de 68 porque não estava lá. Era o Júlio Pinto e morreu no dia de aniversário da República. Abaixo o 5 de Outubro!

Grande Amadora | 13.Out.2000

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Uma vida aos quadradinhos

+  Uma vida aos quadradinhos

Publicou a primeira história em quadradinhos com 14 anos, mas começou a fazer fanzines aos oito. Simples na forma de estar, mas rigoroso até à exaustão de pormenor no trabalho que executa, é assim que encontramos José Ruy, «um duplo amador» que bem pode dizer-se em actividade há seis décadas e uma das poucas unanimidades da banda desenhada lusitana.

Grande Amadora | 1999

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Morrer de amor

+  Morrer de amor

É possível morrer de amor? Os poetas e outros loucos, incluindo alguns psiquiatras, acham que sim. «D. João e Julieta» é uma peça de Natália Correia onde o amor e a morte, uma vez mais, se cruzam na grandeza da paixão. Uma peça onde, de um modo particularmente singular, a própria Natália se desvenda.

DNA - Diário de Notícias | 1999

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Cabeças raladas

Skinhead. Para a generalidade dos cidadãos, a palavra tem de imediato conotações malditas: cruzes suásticas, violência organizada, ideais fascistas. Falar de skins leva invariavelmente a falar de racismo e de morte. A palavra aos próprios: «Na realidade, os skins nazis são uma minoria no conjunto dos 'carecas' europeus. O que acontece é que eles, de cada vez que aparecem, dão nas vistas o suficiente para que, sempre que se fala em skins, as pessoas pensarem que os únicos que existem são eles.» Não são, como se pode ler aqui.

O Independente | 16.Abr.1999

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Glossário básico skin

Como todas as tribos, como todas as culturas, o universo skinhead possui uma linguagem própria, nem sempre imediatamente compreensível pelos cidadãos comuns. Foi na Grã-Bretanha que tudo começou. Em Londres, Liverpool, Birmingham, Newcastle. E em Glasgow, na longínqua Escócia, onde no final dos anos 60 a havia a maior concentração de mods (antepassados próximos dos skins), reputados pela violência e pela sua organização em gangs. Daí que a boa parte do léxico skin seja derivado do inglês.

O Independente | 16.Abr.1999

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Skin look de A a Z

Ao vê-los em "actuação", nas claques de futebol, nas zaragatas dos bares ou nos confrontos de gangs, ninguém imagina que aqueles rapazes de cabelo rapado e ar frequentemente duro se preocupem com a composição da imagem exterior. Um olhar mais atento sobre a indumentária dos skinheads revela, porém, a extrema atenção que é dada a cada pormenor, cada peça de roupa, cada símbolo que se vai exibir. Desde as botas aos elementos decorativos do blusão, nada daquilo que um skinhead veste está ali por acaso. Este é, aliás, um tema sobre o qual os membros de vários grupos skin gostam de falar sem reservas. Quase poderia dizer-se que a opção pelo movimento começa sempre por ser uma questão estética. Com a preciosa ajuda de alguns skinheads bem documentados, ficámos a saber o essencial e boa parte do acessório sobre as peças que compõem a imagem skin.

O Independente | 16.Abr.1999

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Vaticano, SA

+  Vaticano, SA

A Pepsi e a Mercedes são duas das 23 empresas que custearam a mais recente viagem do Papa ao continente americano. Não tanto por fé em Deus, mas no Mercado, omnipresente como Ele. A notícia surgiu timidamente, diluída nos relatos da mais recente visita papal ao México, com passagem pelos EUA, como se os redactores e os editores dos diversos órgãos de comunicação não levassem muito a sério o facto em si e decidissem reduzi­-lo a um simples pormenor. E, no entanto, este pormenor é que é verdadeiramente a notícia da visita de Karol Woytila ao México. Uma visita que (ficámos a sabê-lo pela Antena 1 e pelo Diário de Notícias, dos poucos que ousaram dar conta do sucedido) contou com "o patrocínio da Pepsi Cola, da Mercedes e de mais 23 empresas privadas". Assim mesmo.

Grande Amadora | 28.Jan.1999

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Crónica de uma morte antecipada

+  Crónica de uma morte antecipada

A vida é frequentemente injusta, sobretudo para aqueles que mais a amam. António Assunção era um desses, e nem o seu aparente mau feitio conseguia esconder esse grande gosto de viver que animou toda a sua existência. Homem e actor coerente com os princípios da justiça, liberdade e igualdade que tomou como seus desde muito novo, fez sempre questão de não ceder naquilo que considerava ser o essencial. Pagou por isso, claro. Com o ostracismo a que muitas vezes foi votado, apesar de ser unanimemente considerado no meio teatral como um dos seus praticantes mais talentosos. E, porque era de esquerda, convicta e assumidamente de esquerda, viu-se também alvo do desprezo dos vários poderes. Um desprezo, de resto, que de certa forma o divertia e que ele retribuía em dose reforçada.

Grande Amadora | 28.Ago.1998

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Há ratos na exposição

O desvio de cerca de um milhão de contos dos cofres da Exposição Mundial de Lisboa é a prova definitiva de que o portuga médio não dá ponto sem nó e aproveita todas as oportunidades para sacar algum. Depois das Descobertas, de Macau e dos fundos europeus, chegou a vez de a Expo 98 dar de comer a mais uns quantos tubarões. Que nem sequer vivem no Oceanário.

Grande Amadora | 21.Ago.1998

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A vida por um traço

+  A vida por um traço

Boémio incurável, amante fiel mas inconstante, apreciador de bons vinhos e petisqueiro afamado, Fernando Relvas reparte o seu tempo de forma desigual entre uma casa em Almoçageme, bares diversos da capital e o Raven, «um corvo atracado no Tejo» ...

Expresso | 1997

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Que é dos cantores de intervenção?

+  Que é dos cantores de intervenção?

Estavam onde era preciso, sempre que era preciso. Uma viola, um microfone e um estrado a fazer de palco era quanto bastava para que houvesse espectáculo. A poesia estava na rua e as vozes dos cantores davam-lhe forma de modo claro e preciso, que o tempo não era para meias palavras. Eram os chamados «cantores de intervenção», para quem a arte era sobretudo um veículo de divulgação dos ideais políticos mais marcantes da época.

Expresso | 25.Abr.1997

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Por favor, leiam estes discos

+  Por favor, leiam estes discos

Quando editou «Por Este Rio Acima», no já longínquo ano de 1982, Fausto Bordalo Dias estaria longe de imaginar a verdadeira revolução que esse seu disco iria causar no universo da música portuguesa. (...) Falo da música, mas também da poesia (ao nível da melhor que em terras lusas se tem publicado) e, ainda, de um conceito estético que, na realidade, só depois de «Por Este Rio Acima» tomou forma definitiva: a Música Popular Portuguesa, entendida como uma forma de identidade cultural multi-expressiva e não, como pretendiam os seus detractores, como um modelo de uniformização formal.

Grande Amadora | 2.Dez.1994

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Na morte de Luís Pignatelli

+  Na morte de Luís Pignatelli

«O Luís Pignatelli faz aqui muita falta», lamentava-se, uma destas tardes, o Armando Baptista-Bastos ao balcão do Expresso, um dos últimos lugares de convívio do largo a que deram o nome de Trindade Coelho, mas que há-de ser sempre da Misericórdia, por maioria de razão popular. Naquele espaço por onde os afectos ainda vão circulando, disfarçados de imperiais e cariocas de limão, a falta que o Luís faz é particularmente sentida. E o lamento do Bastos nem sequer precisa de ter resposta, todos sabem que é verdade. Sente-se nas conversas, quer sejam contra o Cavaco ou em glória de um soberbo frontispício feminino que vai passando pelo largo onde os pombos promoveram uma ocupação selvagem.

Revista MPP | Julho 1994

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Fantasias de filho de pide

+  Fantasias de filho de pide

O juiz espanhol Crespo Márquez, que em 1965 acompanhou as investigações, em Badajoz, do assassínio de Humberto Delgado, considera «pura fantasia» a tese apresentada no programa «Repórteres», da RTP, pelo filho do sub-inspector da PIDE, Casimiro Monteiro, autor material do homicídio. Segundo o filho do pide, Monteiro teria disparado contra o general «em legítima defesa», um argumento que o processo conduzido pelo Tribunal Militar português, desmontou há mais de dez anos. Crespo Márquez manifestou junto dos familiares de Delgado a sua «estranheza» pela forma «absurda» como, em edição posterior do mesmo programa, foram utilizadas as suas declarações, produzidas há dois anos [1990] para a tele-reportagem «Crime sem Castigo», com o intuito de «corroborar as teses do filho do assassino».

O Jornal | 16.Out.1992

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Rei Roberto leal a Cavaco

+  Rei Roberto leal a Cavaco

«Aderi ao PSD porque confio no dr. Cavaco Silva. Se vou fazer campanha? Não sei. Mas se eu for consultado, pela primeira vez poderei dizer que o nome do dr. Cavaco Silva é um nome recomendado.» Nasceu em Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros, há 39 anos, mas viveu no Brasil os últimos 28 e ali se tomou conhecido e rico. Regressou a Portugal, ao que diz, para ficar. E, «após um ano vivendo aqui, me confundindo com as pessoas», converteu-se a Cavaco. Chama-se António Joaquim Fernandes, mas o público só o conhece como Roberto Leal.

O Jornal | 25.Abr.1991

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    RCS | 6.Out.1998

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    Grande Amadora | 13.Out.2000

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    «Quando se caminha para a frente ou para trás, ao longo dos dicionários, vai-se desembocar na palavra Terror», escrevia, então, Herberto Helder. Nesse tempo de silêncios são poucos os artistas que se erguem contra esta mansidão angustiada. (...) Fora de jogo, dispostos a arriscar e com vontade de abrir novos caminhos, meia dúzia de vozes isoladas fazem-se ouvir em lugares diferentes e de modos diversos: a poesia de Manuel Alegre e Fernando Assis Pacheco, a partir de Argel e Nambuangongo; as vozes claras de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, em Coimbra; José Mário Branco e Luís Cília, no exílio de Paris. E José Afonso, professor de liceu, cantor nas horas vagas e activista por conta própria.

    Introdução à reedição em CD de Baladas e Canções, de José Afonso | 1997

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    Cada vez me custa mais a entender aquela teimosa mania que o professor Cavaco tinha de não ler jornais. É verdade que os jornais, por regra, estão cada vez mais pardos e menos interessantes. E é um facto que certos jornalistas são tão vergonhosamente ignaros e tão desprovidos de sentido ético, que até já pensei requerer a nova carteira profissional na categoria de «artista de variedades».
    Mas ainda assim, eu, que sou teimoso, continuo a ler jornais. Será um vício, talvez, mas o que hei-de fazer? Ontem mesmo, por exemplo, fiquei a saber pelo Diário de Notícias que a polícia não serve só para reprimir, de acordo com o terá dito o ministro Jorge Coelho. O que significa que, lá no fundo, a polícia deve ter alguma utilidade, ainda que ninguém, nem sequer o ministro, saiba dizer em rigor qual é.

    TSF | 21.Jan.1998

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