Imprensa 2000-2010

Alguns textos publicados na Imprensa na primeira décaca do século XXI | Selecção de crónicas, entrevistas e reportagens

O direito à preguiça

+  O direito à preguiça

«Face aos meios de produção modernos e à sua ilimitada potência reprodutiva, há que moderar a paixão extravagante dos operários pelo trabalho e obrigá-los a consumir as mercadorias que produzem.» Esta frase foi escrita há 125 anos por Paul Lafargue, revolucionário francês e genro de Karl Marx, num manifesto que fez furor e causou escândalo, tanto entre a burguesia como entre a classe operária desse tempo. Chamava-se O Direito à Preguiça e exaltava as virtudes do ócio e do lazer contra os malefícios do trabalho.

Zoot | Outono 2009

+ O direito à preguiça

Crise? Qual crise?

Para além do disco de 1975 dos Supertramp, a interrogação que dá título a esta crónica remete-nos também para o episódio que constituiu a gota de água para a demissão, há 30 anos, do primeiro-ministro britânico James Callaghan. A Grã-Bretanha vivia então o seu “inverno do descontentamento” e a frase, utilizada em título de primeira página pelo The Sun e atribuída a Callaghan, provocou a ira de milhares de ingleses que sentiam na pele os efeitos da crise económica que se arrastava desde os primeiros anos da década de 70. Dois meses depois, o governo de Big Jim sucumbia a uma moção de censura no parlamento, e os trabalhistas teriam de esperar quase duas décadas para regressarem ao poder.

Zoot | Verão 2009

+ Crise? Qual crise?

O rasto do dinheiro

+  O rasto do dinheiro

Base das Lages, Açores, 17 de Março de 2003. Um primeiro-ministro de um país periférico europeu serve de conciérge a um trio de patifes que, três dias depois, dará início à invasão do Iraque. Ao país a que pertence e ao mundo que mal dá por ele o primeiro-ministro periférico jura que viu «provas inequívocas» da existência de um temível arsenal de destruição maciça na posse de Saddam Hussein. Meses depois, o primeiro-periférico é indigitado presidente da Comissão Europeia, e o mundo passa a conhecer-lhe o nome, já devidamente aparado para a ocasião: Barroso, José Barroso.

Zoot | Verão 2008

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O pecado da inveja

+  O pecado da inveja

Quando o Criador distribuiu os pecados pelo mundo, nem todos os povos tiveram a mesma sorte: aparentemente, a preguiça coube aos espanhóis, os franceses ficaram com a gula (apesar da nouvelle cuisine), os ingleses com a soberba, escoceses e judeus com a avareza; a ira foi para gregos e troianos, sérvios e macedónios, tártaros e mongóis, acabando por tornar-se um pecado transversal a quase todos os povos, ainda que – felizmente – nem sempre ao mesmo tempo; quanto à luxúria, ficou para as nórdicas, claro, mas também para os brasileiros, os italianos e outros mentirosos. Nesta repartição de defeitos calhou aos portugueses ficar com a inveja.

Zoot | Primavera 2007

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Um poeta na varanda dos deuses

+  Um poeta  na varanda dos deuses

«Lisboa é como a vida: nós queixamo-nos, mas é muito bom andar por cá.» Dono de um aguçado sentido crítico e de um humor por vezes implacável, Alberto Pimenta reflecte em toda a sua obra uma grande atenção aos problemas do mundo actual, expressa com um rigor de linguagem que faz dele um dos nomes mais importantes, mas também mais incómodos, da poesia portuguesa contemporânea.
«A cultura é o desporto da classe média», afirmou uma vez. Ainda hoje, há quem não lhe perdoe esta irreverência e a frontalidade dos gestos e das atitudes.

Mini International | Março 2007

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O Parque da ilusão

Ainda não há muitos anos, qualquer forasteiro de passagem por Lisboa não conseguia divertir-se a sério sem passar pelo Parque Mayer. Durante décadas, este lugar vizinho da central Avenida da Liberdade foi a alma da boémia lisboeta. Actores e fadistas, coristas e intelectuais, jornalistas e vadios misturavam-se em doses desiguais nos teatros, bares e cabarets que davam cor àquele espaço.

Mini International | Março 2007

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Sal e Pimenta

+  Sal e Pimenta

O homem que ainda não desistiu de encontrar «um triângulo de quatro lados» chegou exactamente ao meio-dia, conforme combinado. Alberto Pimenta é dono de uma pontualidade afrodisíaca, o que é apenas um dos seus muitos pontos de confronto aberto com a sociedade portuguesa. Nascido no Porto em 1937, viveu na Alemanha durante dezassete anos e só continua português porque, pelo meio, houve o 25 de Abril. Garrett, Bocage, Eça, Pessoa, Mário de Sá Carneiro são algumas das suas referências culturais. Fazem parte da lista dos seus prazeres pessoais, assim como o Cavaleiro de Oliveira, António Sérgio, Camões, Aquilino, António José da Silva, Cesário Verde. Pelo estilo e pelos temas, considera que a literatura portuguesa contemporânea é um deserto, com alguns oásis: Herberto Helder, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, Vergílio Ferreira, Luiz Pacheco, José-Emílio Nelson e poucos mais. De Saramago acha que «tem coisas muito boas, mas abusa dos truques de estilo».

Epicur | Junho 2006

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Elogio e memória do Parque Mayer

+  Elogio e memória do Parque Mayer

Isto que aqui vedes já foi um lugar sagrado. Não que aqui se adorasse uma divindade qualquer, ou que houvesse neste intramuros espaço para o sacrifício de que os deuses, todos, parecem sempre tão sequiosos. Não. Por aqui passaram gerações inteiras, aqui se viveram muitos momentos de ilusão e de glória, que são, como se sabe, faces irmãs da mesma moeda. A casa que, teimosa, insiste em manter-se de pé no meio deste quase-nada em que o Parque Mayer se transformou é um símbolo vivo desse tempo. Aqui mora ainda hoje o Mário Alberto, pintor e cenógrafo, anarquista e lutador, militante do prazer e sumo-sacerdote da vida. Com sorte poderíamos cruzar-nos com ele numa qualquer tarde – nunca de manhã, que essa fez-se para aplacar o corpo e preparar a alma para a noite que se seguirá – subindo ou descendo a Avenida, em passo lento mas firme e determinado, olhando as mulheres que passam.

Zoot | Primavera 2006

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O silêncio é uma forma de censura

«E posto que viver me é excelente, cada vez gosto mais de menos gente.» A frase é do Professor Agostinho da Silva, mas Paulo de Carvalho adoptou-a como sua, e até já a pôs em música - numa canção que há-de fazer parte de um disco a sair daqui por algum tempo. Com 58 anos de idade e 43 de cantigas, este autor e intérprete de tantos temas fundamentais da música portuguesa continua activo e cheio de projectos, apesar do ostracismo a que nos últimos tempos se sente votado pelas rádios e televisões. E recusa-se a alinhar no espectáculo deprimente de uma sociedade onde tudo se vende por qualquer preço. 

Autores | Jul-Set 2005

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O meu amigo Fausto

+  O meu amigo Fausto

Não é o Elvis Presley nem o Tommy Steel, já teve um cão que voava por impulso mictório, e agora dá guarida a Sócrates, um papagaio filósofo carregado de dúvidas metódicas e muito mais sabedoria do que a generalidade dos cronistas políticos e sociais. Chama-se Fausto Bordalo Dias e é um nome de referência (hoje diz-se incontornável, mas eu sou de outra escola) da música popular portuguesa.

A Capital | 27.Mai.2005

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As voltas do professor

Há uns bons vinte anos, ele era o símbolo de tudo aquilo que não queríamos ver no poder. A candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da Repúbica foi, sejamos claros, a última esperança dos velhos fascistas que ainda não se tinham adaptado à democracia. Na verdade, o confronto entre Mário Soares e Professor nas eleições presidenciais de 1986 foi marcado pela clarificação dos campos políticos que, bem ou mal, se afirmavam no terreno. E Soares, que começou a campanha apenas com o apoio de uma íntima fracção do PS, acabou por se sagrar Presidente, eleito pela Esquerda; ao passo que Freitas, apoiado em massa pelas forças da Direita, não conseguiu evitar a derrota na segunda volta.

Para Consumo da Causa | 10.Mar.2005

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Silly season

Dizem-me que a culpa é do tempo instável que se tem feito sentir. Talvez seja. Mas este mês de Agosto tem sido pródigo em novos conceitos e frases espirituosas de alguns actores da grande comédia que é o mundo actual. Não, não falo de George Bush nem da sua mais recente alarvidade - até porque, ao contrário do que sustentam os jornais, não foi uma gaffe: o presidente dos EUA quis mesmo dizer o que disse quando afirmou que «os nossos inimigos não param de pensar em formas de prejudicar o nosso país e o nosso povo, e nós também não». É o que se chama sinceridade.

Para Consumo da Causa | 18.Ago.2004

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Um coração sobre o mundo

+  Um coração sobre o mundo

(...) E no entanto Carlos Paredes foi, sempre, um ser atento à realidade. Basta ouvir-lhe as músicas, que são o maior e mais autêntico reflexo da alma lusitana. Ou ler os seus textos (e como escrevia bem, este Paredes!) em que, detalhada e apaixonadamente, reflectia sobre as mais diversas questões da vida. Ou tê-lo visto alguma vez em palco, onde construía um permanente diálogo com quem o escutava, com a humildade de que só os grandes génios são capazes.
Quando, há uns anos, foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, por ocasião de um 10 de Junho, fui encontrá-lo, discreto, no foyer do São Carlos, depois da cerimónia, distribuindo abraços, daquela forma sincera que o caracterizava. «Isto é bom: sempre se encontram uns amigos», disse-me então, alheio à snobeira bacoca que sempre rodeia estes momentos.

A Capital | 24.Jul.2004

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Eleições, mentiras e algum vídeo

O putativo futuro primeiro-ministro, Santana Lopes, foi à Televisão defender a evolução na continuidade que seria a sua nomeação, se o PR seguisse os conselhos do PSD e do CDS e não convocasse eleições antecipadas. Diz Lopes que Sampaio deve deixar governar a maioria parlamentar, nomeando-o para o cargo deixado vago por Durão Barroso. E apresenta como razão maior o facto de também Sampaio ter desistido a meio do mandato de presidente da Câmara de Lisboa, sem que tal obrigasse a novas eleições.

Para Consumo da Causa | 7.Jul.2004

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A cena do ódio

Em Junho de 2004, um «concerto de música nacionalista» foi o pretexto para um encontro de skinheads numa skinhouse de Pinheiro de Loures, nos arredores de Lisboa. Uma situação que antecipámos na revista Focus, com esta reportagem que nos valeu alguns insultos e ameaças por parte dos animadores de um tal «fórum nacionalista» da internet.

Focus | 16.Jun.2004

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O senhor Lopes e o cantador

Um concerto de Fausto esteve agendado para a noite de 24 de Abril de 2004, no Terreiro do Paço, mas acabou desmarcado por «indicações superiores». O presidente da Câmara de Lisboa, que organizou o espectáculo, era Pedro Santana Lopes, e a decisão de desconvidar o cantor ocorreu na altura em foi referida pelos círculos do poder a necessidade de «retirar qualquer conotação ideológica ao 25 de Abril». Como se vê.

Focus | 12.Mai.2004

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Isabel e a medalha

+  Isabel e a medalha

Nasceu no Barreiro, numa família marcada pelos valores da liberdade e do antifascismo. O pai, João do Carmo, era poeta e activista dos círculos locais de combate à ditadura. Dele herdou, talvez, o amor pelo sonho e o sabor da utopia, que a acompanham desde sempre. Tal como a vontade de ser útil, e participante activa nas lutas sociais e políticas do seu tempo.

Sic 10 Horas | 5.Mai.2004

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Ler, ouvir e contar

+  Ler, ouvir e contar

De todos os registos discográficos editados este ano em Portugal, poucos terão suscitado tão grande expectativa como «A Ópera Mágica do Cantor Maldito». Desde logo pelos nove anos que o separam do anterior disco de originais de Fausto, «Crónicas da Terra Ardente», mas também pelo sigilo que rodeou a sua preparação. Na verdade, só mesmo os amigos mais próximos do compositor sabiam há muito que havia um novo trabalho na forja, mas mesmo entre estes poucos saberiam do que realmente se tratava.

Jornal de Letras | 24.Dez.2003

+ Ler, ouvir e contar

Enquanto houver estrada pr'andar

+  Enquanto houver estrada pr'andar

Desculpem, leitores, mas ele há regras! E a verdade é que nem o Jorge Palma nem o relator desta conversa se sentem, nos dias que correm, com vontade ou paciência para entrevistas formais, ao estilo dos seriíssimos diálogos entre jornalistas-culturais e escritores-em-franca-ascensão, comentadores-político-sociais e ex-ministros, futuros-ex-ministros ou candidatos a. E foi talvez por isso que, quando repórter e músico decidiram dar conta da conversa que se segue, escolheram a serenidade da casa do capitão da Zambujeira do Mar, de frente para o Atlântico, numa tarde tranquila de finais de Julho, quando os camones não tinham ainda chegado em força e os portugas permaneciam nas cidades, a braços com o aumento do iva e as propostas do ministro da televisão que animaram os últimos dias antes das férias gerais.

MPP - Revista do Festival de Música Popular Portuguesa da Amadora | Set 2002

+ Enquanto houver estrada pr'andar

O homem que aprendeu a voar

+  O homem que aprendeu a voar

Um dos sítios mais bonitos do meu mundo fica nas Astúrias, numa aldeia de Villaviciosa, a norte da Cordilheira Cantárbica, aonde se chega atravessando longos quilómetros de túneis e de névoa. Perdida entre as montanhas e o mar, que não se vê dali mas está perto, Labares é um pedaço escondido do paraíso, deixado intacto pelo Criador para lembrar aos homens que é possível viver em harmonia. (...) Estamos com José Luis Posada, cubano nascido nas Astúrias, lutador lendário, pintor em plena actividade e homem de muitas memórias que reencontrei em Labares. Foi aqui, numa antiga escola primária, com vista para uma paisagem de montes e de silêncios, que Posada construiu o seu lugar de recolhimento do mundo, após 70 anos de andanças e de sonhos. Em Labares guarda as suas lembranças originais, sem rancor mas com nitidez. Muita da sua pintura regista as imagens e as sombras da guerra civil, metade da aldeia fuzilada pelas tropas franquistas

Tempo Livre | Maio 2002

+ O homem que aprendeu a voar

O cherne da questão

Quando a mulher do ora primeiro-ministro tomou à letra o apelo do poeta e lançou a única frase que teve eco na campanha (à parte as considerações anatómicas em volta da "mão de Ferro" do PS e do "braço direito" do CDS) não faltou quem achasse que meter o Cherne ao barulho era coisa típica da peixeirada em que se converteram não apenas as campanhas eleitorais mas a generalidade dos episódios que dão cor à vida política portuguesa. Aliás, só com muito boa vontade é que alguém pode ver no líder do PSD algo mais do que uma simples boga, mas já se sabe: o amor é cego.

Alface Voadora | Abril 2002

+ O cherne da questão

Um empresário de sucessos

«A minha profissão não existe», diz o road manager do grupo português de maior sucesso no estrangeiro, o Madredeus. Pioneiro da produção profissional de espectáculos no nosso país, Fernando Marrucho, de 38 anos, tem ideias muito claras sobre o que caracteriza este sector de actividade. Que, embora próspero, continua a não ter enquadramento legal satisfatório.

Status (Semanário Económico) | Nov/Dez.2001

+ Um empresário de sucessos

O homem e as cidades

Era uma vez um homem que gostava de cidades. A biografia de Manuel Graça Dias, arquitecto nascido em Lisboa no ano de 1953, podia começar assim. E não apenas pelo livro que acabou de publicar, justamente intitulado O homem que gostava de cidades, onde reúne uma mão cheia de crónicas que fez para a TSF durante muitas dezenas de semanas.

Status (Semanário Económico) | Out/Nov 2001

+ O homem e as cidades

Cantar ao Sul

+  Cantar ao Sul

Com a tranquilidade que sempre o caracterizou, Janita Salomé não desiste de levar por diante a sua música, feita de muitas memórias antigas misturadas com novas sensações. Na certeza de que "existe uma linguagem própria, nossa, e essa é que é necessário procurar, preservar e recriar". Por uma questão de identidade, contra a estética totalizante do hamburguer. Porque, como se percebe ao longo desta conversa, a música é como os vinhos: os mais divulgados e mais consumidos não são necessariamente os melhores.

MPP | Set. 2001

+ Cantar ao Sul

Mais sugestões de leitura

  • Coisas que me chateiam Open or Close

    Os ricos que não se cansam de roubar e os pobres que já desistiram de lutar, os jornalistas-pé-de-microfone e os assessores-pó-de-microfilme, a merda dos cães-de-caca que invadiu as ruas de Lisboa, e outras coisas que me chateiam.

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  • Mãos de fala Open or Close

    Tem uns olhos grandes, profundos, penetrantes. E as mãos. As mãos que, em palco, criam um espaço próprio dentro do cenário, tornam-se, à conversa, num elemento do diálogo, tão intenso como cada vocábulo, cada sorriso, cada momento. Tem uns olhos grandes e chama-se Juliette Greco. Ou Jujube, segundo a sua autobiografia. É uma latina orgulhosa, e canta. Boris Vian, Jacques Brel, Prèvet, Ferré. “Canto sempre aquilo de que gosto e, por isso, não tenho canções preferidas”, frisa.

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  • João Soares Open or Close

    Este homem andou a enganar uma data de gente durante vários anos. Ou então foi uma data de gente que se enganou a si própria, talvez por culpa das circunstâncias e de alguns preconceitos. O certo é que, por bastante tempo, muitos o viram apenas como «um filho do pai». Até que um dia foi eleito para a Câmara de Lisboa, primeiro como vereador e depois como presidente. Ficou por lá uma dúzia de anos, e transformou a cidade num lugar onde vale a pena viver.

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  • Viagem à Utopia do Che Open or Close

    (...) um livro singular escrito por um português raro: o jornalista Viriato Teles é o repórter que vai ao interior da utopia para dela nos dar conta no portentoso A Utopia segundo Che Guevara, editado pela Campo das Letras. (...) E Viriato Teles está em todo o lado, com o melhor que isso tem: em Havana, captando, para nos oferecer, as cores e os sons seculares; na Sierra Maestra, interpretando o berço e a mística da revolução mais romântica da História; junto dos que privaram com Che, ouvindo-os para nos dar a ouvir o que têm a dizer; na garupa de todos os ecos do guerrilheiro para nos convidar à reflexão; (...) na elegância das palavras, a um mesmo tempo objectivas e apaixonadas, que enformam uma prosa ardente para fazerem deste livro um objecto de culto.

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