Imprensa 2000 +

Selecção de crónicas e outros textos publicados na Imprensa desde 2010

Um disco, um estúdio, uma história

+  Um disco, um estúdio, uma história
A imagem é um retrato quase banal: um homem e uma caixa de viola numa estação de comboios, um relógio onde ainda não são duas horas, um cartaz na parede com o mesmo homem e a mesma viola, gente normal em volta. O homem da viola é Sérgio Godinho, a estação, lê-se no painel de azulejo sobre a porta, é Campolide. Há 35 anos, o homem, a viola e a estação tornaram-se num disco com dez canções sem tempo.
Notícias de Campolide | Set.2014

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Mais do que talento

+  Mais do que talento

Poucos saberão que, em meados da década de 80 do século passado, Paco de Lucia manifestou a alguns amigos o desejo de gravar um disco com Carlos Paredes. (...) A ideia de Paco, admirador de Paredes, foi acolhida com entusiasmo pela editora, mas esbarrou na recusa definitiva do músico português: «Tocar com Paco de Lucia? Nem pensar. Ele esmagava-me, oh amigo!»

Diário de Notícias | 27.Fev.2014

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O grande poeta menor

+  O grande poeta menor

Torrencial, apaixonado, firme, exuberante, truculento, corajoso. Qualquer destes adjectivos cabe em José Carlos Ary dos Santos, mas nenhum deles chega para qualificar plenamente o homem, o poeta, o militante. Em Ary, o todo é sempre mais do que a soma das partes, e estas nunca são estanques entre si: Ary foi o poeta que foi por ser o militante que era, e não poderia ser uma pessoa diferente sem trair tudo aquilo que constituía a sua própria razão de ser.

Diário de Notícias | 18.Jan.2014

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O novo fôlego do grupo que nunca o foi

+  O novo fôlego do grupo que nunca o foi

Há 40 anos nascia um dos projectos mais originais de sempre da música portuguesa: a Banda do Casaco, um grupo incatalogável que se transmudava em cada um dos sete discos que gravou e que deixou um contributo único e irrepetível na música portuguesa. A obra completa está finalmente reunida, numa edição muito apetecível.

QI | Diário de Notícias | 30.Nov.2013

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O último ano antes da liberdade

+  O último ano antes da liberdade

Em Agosto de 1973, poucos em Portugal se atreviam a imaginar que aquele Verão morno seria o último passado em clima de ditadura. Não fosse o cinzentismo geral que então caracterizava o país, e os adolescentes de há 40 anos até teriam algumas razões para se sentir satisfeitos.

QI | Diário de Notícias | 3.Ago.2013

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O vagabundo das canções de paz

+  O vagabundo das canções de paz

De Georges Moustaki ficaram vinte discos de originais, que resumem os sonhos eternos deste homem que parecia vaguear ao ritmo dos acasos, atento à realidade na exacta medida daquilo que nela lhe interessava conhecer e partilhar. Vendo-o e ouvindo-o era esta a sensação que muitas vezes transmitia. Mas era, sobretudo, um artista fiel ao código de vida que escolheu. Vagabundo da canção, construtor de melodias para versos simples, amante da paz e de momentos que não se repetem.

QI | Diário de Notícias | 1.Jun.2013

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Um golpe de mestre

+  Um golpe de mestre

Não há melhor meio de desvalorizar uma mensagem do que descredibilizar o mensageiro. E é isso, em primeiro lugar, que sobressai do triste folhetim natalício desenvolvido a partir do alegado currículo inventado do não menos alegado professor Artur Baptista da Silva.

Jornal do Fundão | 10.Jan.2013

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O fim do mundo

+  O fim do mundo
Infelizmente, ainda não foi desta. Apesar de anunciado com algumas centenas de anos de antecedência, o fim do mundo que muitos esperavam voltou a ser adiado. Pelos vistos, os maias são como a Maya e o sinistro Gaspar: não acertam uma. E como eu gostava que o mundo tivesse acabado. Não propriamente o meu, nem o dos caríssimos leitores, mas este mundo imundo de coelhos e relvas e cavacos e portas e borges e merkls e troikas, de todas as adultas e descompassadas bestas que tresmalham as nossas vidas e assassinam os nossos sonhos.
Jornal do Fundão | 27.Dez.2012

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O ano de (quase) todos os Zecas

+  O ano de (quase) todos os Zecas

Com a edição de “Com As Minhas Tamanquinhas”, neste final de 2012, ficam desde já disponíveis oito das onze edições que integram o plano de remasterizações em curso da obra de José Afonso. Um “lote” que abrange a totalidade dos álbuns gravados para a editora Orfeu, de Arnaldo Trindade, entre 1968 e 1981, ou seja: onze discos de originais num total de 14, o “essencial” da obra gravada do cantor. O trabalho de remasterização, assinado por António Pinheiro da Silva – não só um dos mais competentes engenheiros de som do nosso País, mas também um músico atento – é por vezes surpreendente.

QI | Diário de Notícias | 15.Dez.2012

+ O ano de (quase) todos os Zecas

O velho e o mar

+  O velho e o mar

Até me fica mal dizer isto, mas confesso que, de quando em quando, chego a ter pena do professor Cavaco. O vetusto presidente passa a maior parte do tempo mudo e quedo, decerto em reflexão, tão profunda quando inócua, sobre o mundo e o país que ajudou a criar. E é um deus-nos-acuda: que ele não diz nada quando deve dizer; que só fala a propósito de minudências como o estatuto dos Açores ou a vulnerabilidade do correio electrónico; ou ainda que, tal como a polícia e os maridos enganados, o presidente só aparece quando não é preciso.

Jornal do Fundão | 13.Dez.2012

+ O velho e o mar

O país obtuso

+  O país obtuso

O que se passou nos dias que se seguiram à Greve Geral de dia 14 é exemplificativo do país obtuso em que Portugal se tornou nos últimos meses. As reacções em cadeia de membros do governo, deputados da maioria e do próprio presidente da República, não deixam margem para dúvidas. A crer neles, o País está acossado por “terroristas” (viu-os um parlamentar do CDS) e “pessoas apostadas na destruição” e “que querem destruir a  sociedade” (Cavaco dixit).

Jornal do Fundão | 22.Nov.2012

+ O país obtuso

O ovo da serpente

+  O ovo da serpente
Notícia recente ouvida na TSF dava conta do peculiar «aconselhamento» que a polícia grega está fazer junto de cidadãos vítimas da crescente criminalidade produzida pelo agravamento generalizado das condições de vida da população. De acordo com a notícia, que cita uma reportagem do jornal britânico Guardian, agentes policiais helénicos estão a encaminhar queixas e queixosos para o partido neo-nazi que elegeu vários deputados nas últimas eleições, apresentando-se como «defensor do povo contra a escumalha imigrante».
Jornal do Fundão | 11.Out.2012

+ O ovo da serpente

O primeiro dia

+  O primeiro dia

A manifestação que no último fim-de-semana terá juntado para cima de um milhão de portugueses, metade deles em Lisboa, num gigantesco protesto espontâneo e generalizado contra as comprovadamente ineficazes medidas de austeridade do governo (e) da Troika, devolve-nos uma parte da esperança. A partir de agora deixa de haver álibis para a cegueira do governo que, a coberto da tradicional ilusão dos «brandos costumes» lusitanos, o conduz ao maior servilismo perante todas as imposições do FMI, do BCE e da Comissão Europeia – a ponto de insistirem em «ir para além» daquilo que é prescrito por estes mandatários da agiotagem internacional, mesmo que já toda a gente tenha percebido que, para além disto, só há o abismo.

Jornal do Fundão | 20.Set.2012

+ O primeiro dia

Troikas e baldrocas

+  Troikas e baldrocas
A imparável troika voltou a Lisboa para deduzir o óbvio: que a receita da austeridade é um fracasso, com a quebra do consumo a aumentar na razão directa do assalto à mão desarmada com que os cidadãos estão confrontados, resultando numa diminuição dos proventos reais do Estado. ...
Jornal do Fundão | 6.Set.2012

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Sentido de estrado

+  Sentido de estrado
A modorra estival foi subitamente agitada, dias atrás, pelas declarações de Zita Seabra no programa do estulto Mário Crespo. Segundo a ex-deputada, o PCP utilizou a debelada Fábrica Nacional de Ar Condicionado como fachada para tenebrosas missões de espionagem, levadas a cabo em conluio com caliginosos agentes da STASI durante a Guerra-Fria.
Jornal do Fundão | 16.Ago.2012

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O estado do sítio

+  O estado do sítio
Com o País no estado em que está e a Europa no ponto aonde chegou, não vejo como é que alguém de bom senso consegue manter o optimismo. No entanto é isso que o (des)governo da nação continua a exibir,...
Jornal do Fundão | 2.Ago.2012

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Um homem de carácter

+  Um homem de carácter
José Vilhena, o mais importante humorista português contemporâneo, fez recentemente 85 anos. Mas, com excepção da meia dúzia de amigos e admiradores que estiveram presentes numa pequena homenagem organizada em Lisboa pelo Museu da República e Resistência, quase ninguém se deu conta da efeméride.
Jornal do Fundão | 19.Jul.2012

+ Um homem de carácter

O homem que queria ser comum

+  O homem que queria ser comum

Não fosse a intervenção do dr. Salazar e provavelmente a obra de José Afonso não teria atingido a dimensão que alcançou e que fez dele um dos grandes vultos da música popular do século XX. Dito deste modo, pode soar a provocação. Mas a verdade é que foi por ter sido expulso do ensino, por ordem do governo da ditadura, que o criador de «Grândola» se profissionalizou como músico e passou a gravar com regularidade. Deus a escrever direito por linhas ínvias, diriam os crentes. Curiosas ironias da História, dirão os outros.

QI | Diário de Notícias | 28.Abril.2012

+ O homem que queria ser comum

Uma esperança na escuridão

+  Uma esperança na escuridão

Há quem diga que é um prenúncio do fim do mundo, há quem pense que se trata de castigo divino, há quem ache que a culpa é da crise económica global. Não, não estou a falar do terramoto do Chile, nem dos massacres da Nigéria, nem da interminável guerra do Iraque, nem sequer dos sucessivos escândalos que ameaçam transformar Berlusconi no mais hilariante sucessor de Boris Yeltsin no anedotário europeu. Refiro-me antes a essa espécie de loucura branda que parece ter tomado conta do mundo e faz com que a humanidade aceite como naturais as mais incríveis aberrações sociais, políticas e económicas.

Zoot | Primavera-Verão 2010

+ Uma esperança na escuridão

Mais sugestões de leitura

  • Alberto Pimenta Open or Close

    Nasceu no Porto, viveu na Alemanha e está em Lisboa. Em 1977 deu-se em exposição numa jaula da aldeia dos macacos no Jardim Zoológico de Lisboa. Catorze anos depois colocou-se à venda, no Chiado, por conta de uma «divisão de recursos humanos do Estado». E catorze dias mais tarde fez um auto-de-fé de O Silêncio dos Poetas na Feira do Livro de Lisboa. De todos os seus livros, esse é aquele que os intelectuais dominantes mais levam a sério, e fazem mal. Deveriam ler também Labirintodonte, Os Entes e os Contraentes, Ascensão de Dez Gostos à Boca, Discurso Sobre o Filho-da-Puta, Terno Feminino, A Visita do Papa, Deusas Ex-Machina. E os outros, todos, que publica com a regularidade possível desde 1970.

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  • Era uma vez uma Nina Open or Close

    Era uma vez uma menina nascida num país que já não existe. A história de Nina Govedarica poderia começar assim, mas a sua biografia está bem longe de ser um conto de fadas. Os olhos dela já viram mais do que à generalidade dos humanos costuma ser concedido, e nem tudo o que viu foram coisas belas.
    Nascida em Zagreb no início dos anos 70 do século passado, Nina Govedarica licenciou-se em Engenharia, mas seria na pintura que encontraria o caminho e a razão de ser da sua vida.

    Do catálogo de Contos sobre a floresta, ..., de Nina Govedarica | 2011

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  • Como é que ele conseguiu? Open or Close

    A minha primeira impressão deste livro é a pesquisa exaustiva que o autor fez dos entrevistados. Quando a gente termina aquela leitura já estamos prontos para dar um mergulho na entrevista e já o fazemos com água na boca. Quase como quando um requintado cozinheiro envia para a mesa uma travessa apetitosíssima, suculenta, que a gente fica doido para devorar. Isso, para além do talento deste autor, que tem muito a ver com a honestidade profissional, do apuro e do contentamento de quem a escreve. (...) «Bocas de Cena» é um livro excelente com uma dezena de entrevistados inatingíveis, e a pergunta é: Como é que ele conseguiu?

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  • A nostalgia da esperança Open or Close
    Nenhuma revolução se faz com cantigas. Mas elas são sempre parte integrante de qualquer movimento social e político, reflectindo-lhe os intentos, analisando-lhe os defeitos e as virtudes, antecipando, até, as suas consequências de futuro.

    Canto de Intervenção
    Edição A25A | 1984

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