Outros textos

Ficções e outras escritas dispersas. Selecção muito incompleta

Cantata em azul

Lembro-me das casas e das flores silvestres, do canto recatado à beira-ria por onde fugíamos à cavalgada na noite, das mulheres jovens que sorriam envergonhadas aos nossos devaneios. Lembro-me de como éramos belos e tontos, convencidos de que o mundo só avançava porque nós assim o desejávamos, crentes de que poderíamos fazer parar o tempo com as palavras mágicas do amor. Lembro-me de ouvir o rugido do mar e não ter medo. ...

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Três contos de reis

Quando lhe disseram que o trono era seu, nem queria acreditar. Havia tantos anos que sonhava com aquele momento, e agora que ele ali estava, sentia-se infinitamente pequeno, tanto que por instantes pensou que ia fraquejar. Então levantou os olhos na direcção de seu velho pai, e perguntou:
– Senhor, será que eu posso sentar-me sem medo nesse espaldar de tanta responsabilidade? ...

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Que há-de ser de nós?

Éramos muitos, mais de um milhão. Éramos jovens e pensávamos que mudar o mundo era uma tarefa ao alcance das mãos. A poesia estava na rua, ali mesmo ao nosso lado, e a revolução era para já.

Combate | 1996

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A quinta dimensão

Era o mês de Outubro, em Lisboa e no resto do mundo. Nessa manhã de pouco sol, Aristides acordou com vaga sensação de que a Terra inteira estava a enlouquecer à sua volta.

Se7e | 1988

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Mais sugestões de leitura

  • A quinta dimensão Open or Close

    Era o mês de Outubro, em Lisboa e no resto do mundo. Nessa manhã de pouco sol, Aristides acordou com vaga sensação de que a Terra inteira estava a enlouquecer à sua volta.

    Se7e | 1988

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  • Ler, ouvir e contar Open or Close

    De todos os registos discográficos editados este ano em Portugal, poucos terão suscitado tão grande expectativa como «A Ópera Mágica do Cantor Maldito». Desde logo pelos nove anos que o separam do anterior disco de originais de Fausto, «Crónicas da Terra Ardente», mas também pelo sigilo que rodeou a sua preparação. Na verdade, só mesmo os amigos mais próximos do compositor sabiam há muito que havia um novo trabalho na forja, mas mesmo entre estes poucos saberiam do que realmente se tratava.

    Jornal de Letras | 24.Dez.2003

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  • Elogio da inocência Open or Close

    Naquele tempo éramos todos imortais. Havia mais mundos para lá do mundo que nos era dado conhecer e onde nos era permitido viver. E nós sabíamos. Era o tempo das coisas inevitáveis, como a realidade imaginada, a noite a descobrir, o sonho, a urgência das coisas para viver. E nós vivíamos. E inventávamos sons e momentos, da mesma forma rigorosa e apaixonada com que fazíamos crescer os silêncios até o seu clamor invadir tudo. Foi nesse tempo e dessa forma que o Geraldo se tornou meu irmão. Ele era imortal, como eu, e os imortais sabem sempre reconhecer os da sua laia.

    Prefácio a Cravos com Espinhos, de Geraldo Alves | 2003

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  • Um disco, um estúdio, uma história Open or Close
    A imagem é um retrato quase banal: um homem e uma caixa de viola numa estação de comboios, um relógio onde ainda não são duas horas, um cartaz na parede com o mesmo homem e a mesma viola, gente normal em volta. O homem da viola é Sérgio Godinho, a estação, lê-se no painel de azulejo sobre a porta, é Campolide. Há 35 anos, o homem, a viola e a estação tornaram-se num disco com dez canções sem tempo.
    Notícias de Campolide | Set.2014
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