Outros textos

Ficções e outras escritas dispersas. Selecção muito incompleta

Cantata em azul

Lembro-me das casas e das flores silvestres, do canto recatado à beira-ria por onde fugíamos à cavalgada na noite, das mulheres jovens que sorriam envergonhadas aos nossos devaneios. Lembro-me de como éramos belos e tontos, convencidos de que o mundo só avançava porque nós assim o desejávamos, crentes de que poderíamos fazer parar o tempo com as palavras mágicas do amor. Lembro-me de ouvir o rugido do mar e não ter medo. ...

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Três contos de reis

Quando lhe disseram que o trono era seu, nem queria acreditar. Havia tantos anos que sonhava com aquele momento, e agora que ele ali estava, sentia-se infinitamente pequeno, tanto que por instantes pensou que ia fraquejar. Então levantou os olhos na direcção de seu velho pai, e perguntou:
– Senhor, será que eu posso sentar-me sem medo nesse espaldar de tanta responsabilidade? ...

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Que há-de ser de nós?

Éramos muitos, mais de um milhão. Éramos jovens e pensávamos que mudar o mundo era uma tarefa ao alcance das mãos. A poesia estava na rua, ali mesmo ao nosso lado, e a revolução era para já.

Combate | 1996

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A quinta dimensão

Era o mês de Outubro, em Lisboa e no resto do mundo. Nessa manhã de pouco sol, Aristides acordou com vaga sensação de que a Terra inteira estava a enlouquecer à sua volta.

Se7e | 1988

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Mais sugestões de leitura

  • José Mário Branco Open or Close

    Poucos dias passados sobre o 25 de Abril, ele foi o primeiro a definir quais deviam ser os cânones da canção de intervenção, numa reunião de cantores que integraram o Colectivo de Acção Cultural, nascido no alvorar da revolução, e que eram quase todos os que vinham da canção de protesto que marcou os últimos anos da ditadura. O exemplo do que deveria ser feito, agora que o fascismo estava derrubado e a liberdade fora alcançada, apresentou-o José Mário Branco nesse dia. Chamava-se Alerta e marcou a estreia da canção-de-combate após a revolução.

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  • Um metro de vida bem medido Open or Close

    Podia começar por dizer-vos o óbvio: que não estou aqui hoje por outros méritos para lá do da amizade, o que poderia tornar suspeita a minha leitura deste «Um Metro de Vida». Mas se a amizade é longa – e, sobretudo, cheia de cumplicidades criadas nos percursos todos que já partilhámos – se a amizade é longa, dizia, então por maioria de razões tenho a obrigação de ser autêntico. O Nuno Gomes dos Santos escreve sobre pessoas vivas. Assim foi nos tempos do «Diário de Lisboa» e de «O Diário», do «Se7e» e do «Musicalíssimo», d’«A Capital» e d’«O Primeiro de Janeiro», jornais onde deixou marcas e uma parte importante da sua vida. Assim é nas canções que escreve e canta, e também nos livros que vem publicando desde há uma dúzia de anos.

    Apresentação de Um Metro de Vida, de Nuno Gomes dos Santos | 2004

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  • Falando assédio Open or Close

    Quando não têm uma guerrazinha com que se entreter, os americanos são capazes de tudo. Até de transformar em notícia as possíveis aventuras extraconjugais de Bill Clinton. Tudo começou com uma vulgar acusação de assédio sexual - essa brilhante invenção norte-americana deste fim de milénio. Pessoalmente, devo dizer não tenho nada contra o assédio sexual - seja no local de trabalho, na rua ou mesmo em casa. Acredito até que, sem assédio, a humanidade acabaria por se extinguir, por manifesta falta de assunto.

    TSF | 28.Jan.1998

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  • A solução para a crise Open or Close

    Para começo de ano mau, isto está bom. Em poucas semanas, o desgoverno dos comissários da troica conseguiu provar aos mais descrentes que não há mesmo limites para a criatividade. Se lhes desse para o bem, Portugal seria fantástico.

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