Outros textos

Ficções e outras escritas dispersas. Selecção muito incompleta

Cantata em azul

Lembro-me das casas e das flores silvestres, do canto recatado à beira-ria por onde fugíamos à cavalgada na noite, das mulheres jovens que sorriam envergonhadas aos nossos devaneios. Lembro-me de como éramos belos e tontos, convencidos de que o mundo só avançava porque nós assim o desejávamos, crentes de que poderíamos fazer parar o tempo com as palavras mágicas do amor. Lembro-me de ouvir o rugido do mar e não ter medo. ...

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Três contos de reis

Quando lhe disseram que o trono era seu, nem queria acreditar. Havia tantos anos que sonhava com aquele momento, e agora que ele ali estava, sentia-se infinitamente pequeno, tanto que por instantes pensou que ia fraquejar. Então levantou os olhos na direcção de seu velho pai, e perguntou:
– Senhor, será que eu posso sentar-me sem medo nesse espaldar de tanta responsabilidade? ...

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Que há-de ser de nós?

Éramos muitos, mais de um milhão. Éramos jovens e pensávamos que mudar o mundo era uma tarefa ao alcance das mãos. A poesia estava na rua, ali mesmo ao nosso lado, e a revolução era para já.

Combate | 1996

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A quinta dimensão

Era o mês de Outubro, em Lisboa e no resto do mundo. Nessa manhã de pouco sol, Aristides acordou com vaga sensação de que a Terra inteira estava a enlouquecer à sua volta.

Se7e | 1988

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Mais sugestões de leitura

  • Uma vida aos quadradinhos Open or Close

    Publicou a primeira história em quadradinhos com 14 anos, mas começou a fazer fanzines aos oito. Simples na forma de estar, mas rigoroso até à exaustão de pormenor no trabalho que executa, é assim que encontramos José Ruy, «um duplo amador» que bem pode dizer-se em actividade há seis décadas e uma das poucas unanimidades da banda desenhada lusitana.

    Grande Amadora | 1999

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  • Padre Mário de Oliveira Open or Close

    Era capelão das tropas portuguesas na Guiné-Bissau, e nessa condição ousou pregar a Paz. Mas o tempo era de guerra, ainda que esta fosse uma guerra particularmente injusta. E Mário de Oliveira, o capelão pacifista, acabou com guia de marcha para a «metrópole», como então se chamava a Portugal continental. Não esteve mais de quatro meses no teatro de operações, mas foi o suficiente para perceber que, se queria espalhar a palavra de Jesus Cristo, teria de, como Ele, sujeitar-se à raiva e à incompreensão dos poderosos.

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  • Uma esperança na escuridão Open or Close

    Há quem diga que é um prenúncio do fim do mundo, há quem pense que se trata de castigo divino, há quem ache que a culpa é da crise económica global. Não, não estou a falar do terramoto do Chile, nem dos massacres da Nigéria, nem da interminável guerra do Iraque, nem sequer dos sucessivos escândalos que ameaçam transformar Berlusconi no mais hilariante sucessor de Boris Yeltsin no anedotário europeu. Refiro-me antes a essa espécie de loucura branda que parece ter tomado conta do mundo e faz com que a humanidade aceite como naturais as mais incríveis aberrações sociais, políticas e económicas.

    Zoot | Primavera-Verão 2010

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  • Baptista-Bastos Open or Close

    Se procurarmos a chave dos afectos de Armando Baptista-Bastos, chegamos sem esforço à palavra Dignidade. Assim mesmo, com D maiúsculo. É por ela e pelo que ela significa que esta personagem maior do jornalismo português pagou sempre um preço caro, mas não me lembro de ver nele uma réstia de arrependimento – e já o conheço há largos anos. O Armando, como lhe chamam os amigos, o Bastos, como dizem os colegas, o BB, como o conhecem quase todos, chamem-lhe o que entenderem, mas ele é assim, e não há nada a fazer. Intransigente, maroto, bebedor, brigão, são adjectivos que lhe ficaram colados à pele, como outros: frontal, corajoso, competente, leal. E ele é um pouco de tudo isso, e ainda mais.

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