A Utopia segundo Che Guevara

Reportagem biográfica | Campo das Letras 2005

A razão de ser de um livro

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Ao longo destas páginas reuni apontamentos, entrevistas e histórias, umas mais pessoais do que outras, procurando, através da junção desses episódios, retratar com a fidelidade possível Ernesto Che Guevara, o homem, e a realidade que criou, de modo a entender os contornos da sua utopia e da forma como lutou por ela, até à morte. (...) Para traçar o perfil de Guevara para além do mito consultei testemunhos antigos, confrontei-os com outros mais recentes, auxiliei-me de fontes oficiais e não oficiais, em Cuba e fora dela. (...) Que os leitores possam sentir-se minimamente compensados e talvez, perdoe-se-me a veleidade, um pouco mais informados com esta leitura, é quanto me basta. O resto será determinado, como sempre, pelas circunstâncias da História. E essas, dizem-nos os factos, passam sempre pela vontade de cada homem que cria a vontade de todos os homens. Sobretudo aqueles que acreditam no valor da tal dignidade que foi sempre tão cara ao comandante guerrilheiro Ernesto Guevara de la Serna, para sempre e por todos chamado O Che.

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A poesia na Revolução

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[A Utopia segundo Che Guevara] é um livro admirável, escrito num português admirável. O que não é nada despiciendo num país onde muitos escritores e outro tanto de jornalistas tropeçam no pronome, vacilam na preposição e estatelam-se no advérbio. Viriato Teles legitima a atitude de reactivar a reflexão sobre Guevara, respondendo à relação radicalidade/fascínio com argumentos que me parecem extremamente inovadores. (...) Um livro de reportagens, escrito por um dos grandes repórteres portugueses e, certamente, o melhor da geração a que ele pertence – tomando o conceito de geração com todas as precauções devidas. Viriato Teles faz parte do reduzido grupo que tenta reabilitar a grande tradição da Imprensa portuguesa: aquela que nunca enjeitou a «participação» afectiva sem desleixar a qualidade da prosa e sem ignorar a ética do ofício.

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Era uma vez em Havana

+  Era uma vez em Havana

Era uma vez um povo e uma ilha, centro de um mundo encantado no coração das Caraíbas. Era uma vez uma gente nascida do cruzamento de outras gentes, fruto da inevitável mistura de raças e de culturas produzida pelos navegadores antigos. Era uma vez uma cidade e uma revolução.

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As razões profundas

+  As razões profundas

0 triunfo da revolução cubana e a chegada apoteótica de Fidel Castro ao poder marcaram a viragem maior do destino da ilha, e tornaram-se símbolos da utopia mais apaixonada da segunda metade do século XX.
Nesses dias, Havana foi uma festa.

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O retrato de Che Guevara

+  O retrato de Che Guevara

Quem já visitou Cuba e ficou tocado pelo seu encanto sensual, pela alegria da sua música, dos seus ritmos tropicais, pela beleza tão singular da Habana Vieja, do canto do mar no Malecón, da arquitectura do Caribe, da abertura das suas gentes, seu trato familiar, tudo isso vai reencontrar neste livro, juntamente com informações rigorosas sobre o passado da Ilha, as lutas pela independência, a aventura épica do assalto ao quartel Moncada e da guerrilha na Sierra Mes­tra, com factos precisos, dados e evocações que resultam de muita leitura, muito inquérito e um trabalho de campo por vezes minucioso.

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O grito de guerra dos genes

+  O grito de guerra dos genesErnesto Guevara, chamado o Che, era um homem complexo e dinâmico — diferente de outros, lineares, cinzentos, sempre iguais de tão monotemáticos. Não falo do revolucionário, nem do homem de Estado, nem do pai de família, nem do amante, nem do aventureiro; falo do homem que continha em si todos esses homens... Repito: era um homem complexo, profundo, crítico e sumamente vital. O Che morreu muito jovem, mas morreu obcecado com a vida que ainda poderia construir-se; Fidel agarra-se à vida com unhas e dentes, ainda que apenas fale de morte.

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Amor sem palavras

+  Amor sem palavras (...) quando se converte num mito um homem que foi justo, honesto, valente, está-se a separá-lo das pessoas. E o meu pai era um homem, de carne e osso, com virtudes e defeitos como toda a gente. Era um homem muito completo, talvez um homem único, mas como homem que era pode ser imitado, pode ser igualado e pode ser superado. É difícil fazê-lo, reconheço, em algumas coisas será praticamente impossível. Mas, como é tão humano como eu, está ao meu nível e eu posso fazê-lo se a isso me propuser. Se se converte simplesmente em algo para adorar, já se afasta dos homens por quem ele viveu e morreu. E isso eu gostava que nunca acontecesse.

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Viagem à Utopia do Che

+  Viagem à Utopia do Che

(...) um livro singular escrito por um português raro: o jornalista Viriato Teles é o repórter que vai ao interior da utopia para dela nos dar conta no portentoso A Utopia segundo Che Guevara, editado pela Campo das Letras. (...) E Viriato Teles está em todo o lado, com o melhor que isso tem: em Havana, captando, para nos oferecer, as cores e os sons seculares; na Sierra Maestra, interpretando o berço e a mística da revolução mais romântica da História; junto dos que privaram com Che, ouvindo-os para nos dar a ouvir o que têm a dizer; na garupa de todos os ecos do guerrilheiro para nos convidar à reflexão; (...) na elegância das palavras, a um mesmo tempo objectivas e apaixonadas, que enformam uma prosa ardente para fazerem deste livro um objecto de culto.

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O Che das nossas utopias

+  O Che das nossas utopias

De uma forma ou de outra, todos aqueles que acreditam no advento de sociedades justas, trazem consigo, no mais caloroso canto do coração, a imagem e o exemplo de Che Guevara. Este livro também disso fala: do princípio de realidade colectiva que pode explicar os nossos embalos e acicatar os nossos sonhos. Viriato Teles diz-nos que a grandeza do Che consistiu no facto de ele não querer ser outra coisa - senão um homem. Um homem que encheu o século e os tempos ao proclamar que tudo é possível, desde que os homens o queiram.

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Repórter no encalço do Che

+  Repórter no encalço do Che

A gente conhece o Viriato Teles há muitas luas, ou não fosse ele um andarilho inveterado dos jornais e com diversos saltos pelos livros. Tudo o que o Viriato escreve é para ler. Homem da cepa séria dos jornalistas que não se perverteram... Daqueles que não se deixam arrebitar pelas alcatifas dos gabinetes ministeriáveis, daqueles que não iludiram a sua condição de ser de esquerda, da esquerda mais utópica, que é essa mesmo que vale para nós!
Olho para o Viriato amigo e desato a pensar em todos os corifeus que após o 25 de Abril eram de esquerda – era bem – e hoje dão lições de social-democracia com copo na mão e pança avantajada assente na secretária. Por isso digo que os textos do Viriato são para ler na sua textura não serviçal. Autêntica. (...) Este é seguramente um livro que não interessa a certa gentalha, como aquele cavalheiro que preside ao CDS que há pouco tempo alcunhava o Che de terrorista.

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Mais sugestões de leitura

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    Mais uma vez, a luz. Mas aqui, desta vez, sem misticismo. Para o Viriato tratou-se só de erguer a lâmpada sobre as extraordinárias funções do Zeca, e nisso encontrar quem nós temos saudades de ser. De facto, não somos ainda uma nação de biografados. Às vezes é um bem; mas muitas outras é pena. Porque parte da riqueza do objecto biográfico é a sua simples dimensão romanesca. É certamente o caso do Zeca, material ficcional por excelência, porque uma vida singular, e a obra que lhe veio compor o caos, é certamente matéria-de-ouro para um livro que nunca-jamais em Portugal se escreverá.

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  • O Che das nossas utopias Open or Close

    De uma forma ou de outra, todos aqueles que acreditam no advento de sociedades justas, trazem consigo, no mais caloroso canto do coração, a imagem e o exemplo de Che Guevara. Este livro também disso fala: do princípio de realidade colectiva que pode explicar os nossos embalos e acicatar os nossos sonhos. Viriato Teles diz-nos que a grandeza do Che consistiu no facto de ele não querer ser outra coisa - senão um homem. Um homem que encheu o século e os tempos ao proclamar que tudo é possível, desde que os homens o queiram.

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  • O senhor Lopes e o cantador Open or Close

    Um concerto de Fausto esteve agendado para a noite de 24 de Abril de 2004, no Terreiro do Paço, mas acabou desmarcado por «indicações superiores». O presidente da Câmara de Lisboa, que organizou o espectáculo, era Pedro Santana Lopes, e a decisão de desconvidar o cantor ocorreu na altura em foi referida pelos círculos do poder a necessidade de «retirar qualquer conotação ideológica ao 25 de Abril». Como se vê.

    Focus | 12.Mai.2004

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  • Um coração sobre o mundo Open or Close

    (...) E no entanto Carlos Paredes foi, sempre, um ser atento à realidade. Basta ouvir-lhe as músicas, que são o maior e mais autêntico reflexo da alma lusitana. Ou ler os seus textos (e como escrevia bem, este Paredes!) em que, detalhada e apaixonadamente, reflectia sobre as mais diversas questões da vida. Ou tê-lo visto alguma vez em palco, onde construía um permanente diálogo com quem o escutava, com a humildade de que só os grandes génios são capazes.
    Quando, há uns anos, foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, por ocasião de um 10 de Junho, fui encontrá-lo, discreto, no foyer do São Carlos, depois da cerimónia, distribuindo abraços, daquela forma sincera que o caracterizava. «Isto é bom: sempre se encontram uns amigos», disse-me então, alheio à snobeira bacoca que sempre rodeia estes momentos.

    A Capital | 24.Jul.2004

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