As Voltas de um Andarilho

Fragmentos da vida e obra de José Afonso | Assírio & Alvim 2009 | Comprar

A que distância está o Zeca?

+  A que distância está o Zeca?

Mais uma vez, a luz. Mas aqui, desta vez, sem misticismo. Para o Viriato tratou-se só de erguer a lâmpada sobre as extraordinárias funções do Zeca, e nisso encontrar quem nós temos saudades de ser. De facto, não somos ainda uma nação de biografados. Às vezes é um bem; mas muitas outras é pena. Porque parte da riqueza do objecto biográfico é a sua simples dimensão romanesca. É certamente o caso do Zeca, material ficcional por excelência, porque uma vida singular, e a obra que lhe veio compor o caos, é certamente matéria-de-ouro para um livro que nunca-jamais em Portugal se escreverá.

+ A que distância está o Zeca?

Só me calham Dukes

+  Só me calham Dukes

A primeira vez que ouvi falar do Zeca já se dizia assim mesmo, Zeca, e não José Afonso. Cantava esplendorosamente o reportório do fado de Coimbra. Eu costumava não me intrometer nessas conversas tribais em que outros eram aparentemente exímios e tiravam todo o prazer da evocação dos grandes tenores e barítonos da escola local. Havia mesmo quem coleccionasse velhos discos de gramofone comprados a preços altos. A mim tanto se me dava: estava a tirocinar para utente nocturno do programa de jazz da Voz da América, vício que convinha não revelar aos então companheiros de esquerda, por sinal hoje bandeados na sua quase totalidade para a comarca de onde vem papel, papel a sério, sendo que vários deles até deputam, ó meu Deus!

+ Só me calham Dukes

Zeca em livro ao vivo

+  Zeca em livro ao vivo

O José Afonso faria agora 80 anos. Mas este livro do Viriato Teles, em boa hora publicado em edição revista e actualizada pela Assírio e Alvim, não é uma homenagem póstuma. É um livro de José Afonso ao vivo, essencial para conhecer a vida, as ideias, a obra, (...) essencial para conhecer um homem singular: José Afonso. O homem que sonhava em cada esquina, um amigo, em cada rosto, igualdade. E a utopia de uma cidade sem muros nem ameias, capital da alegria.
Leiam, divulguem, tratem bem este livro. O Viriato Teles e o José Afonso merecem.

+ Zeca em livro ao vivo

O legado de um andarilho

+  O legado de um andarilho

As Voltas de um Andarilho – Fragmentos da vida e obra de José Afonso de Viriato Teles: eis um documento raro sobre um sonho agarrado à vida concreta, firmado no telurismo português e braços estendidos a outros lugares do mundo onde despontava a utopia; uma voz sobre uma das vozes da resistência ao fascismo, que rasgou as sombras e iluminou quem nelas vivia; um diálogo entre gerações sobre «o que faz falta», o idealismo, a persistência na luta pela Liberdade.

+ O legado de um andarilho

Um pássaro igual a ti

+  Um pássaro igual a ti

Com Zeca e os seus companheiros aprendemos, ainda, que é muito menos fácil formular perguntas que encontrar respostas. Que as veleidades da ‘vida artística’, na qual ele nunca se encaixou, são como os foguetes de romaria, que desaparecem no ar após um instante de brilho e que, portanto, o importante é estar vivo, ter como única certeza a inquietação permanente. Há coisas assim, que parecem impossíveis. Depois vêm as inevitáveis cortesias-de-velórios, mas quanto a isso estamos conversados. Afinal somos um país de homenagens póstumas, não é? Que o digam o Adriano, Jorge de Sena, Fernando Pessoa. Que o diga agora o Zeca, ele que foi sempre tão dado a encolerizar-se com estas coisas.

+ Um pássaro igual a ti

É preciso é criar desassossego

+  É preciso é criar desassossego

«(...) Como é que da política se chega à música e da música à consciência? Eh, pá, eu acho que as coisas podem estar ou não ligadas, depende do lado para onde estivermos virados. Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (...) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherezinhas’. Temos é que ser gente, pá! (...)»

+ É preciso é criar desassossego

Entrevista ao Portugal Rebelde

+  Entrevista ao Portugal Rebelde

"O Zeca morreu há 22 anos, mas de certo modo está hoje mais vivo do que nunca. Creio que a nova geração já o descobriu, pelo menos em parte, e a prova disso está em que nos últimos dez anos foram gravadas tantas versões de músicas dele como as que foram feitas ao longo das duas últimas décadas do século passado."

+ Entrevista ao Portugal Rebelde

Apresentação em Lisboa e Porto

+  Apresentação em Lisboa e Porto

João Paulo Guerra, em Lisboa, e Rui Pato, no Porto, foram os "mestres de cerimónias" dos lançamentos da nova edição revista e aumentada de As Voltas de um Andarilho nas duas principais cidades. Na capital, a sessão contou com a participação dos Couple Coffee, que cantaram vários temas de Zeca. No Porto, a intervenção musical esteve a cargo de João Teixeira - e do próprio Rui Pato.

+ Apresentação em Lisboa e Porto

O Andarilho na Imprensa

+  O Andarilho na Imprensa

(...) um testemunho empenhado e emotivo não apenas sobre a obra e a personalidade admiráveis do autor de Grândola, Vila Morena mas também sobre o estado de espírito que por algum tempo dominou os seus companheiros de aventuras em meados da década de 80. (Jorge P. Pires)

+ O Andarilho na Imprensa

Mais sugestões de leitura

  • Elogio e memória do Parque Mayer Open or Close

    Isto que aqui vedes já foi um lugar sagrado. Não que aqui se adorasse uma divindade qualquer, ou que houvesse neste intramuros espaço para o sacrifício de que os deuses, todos, parecem sempre tão sequiosos. Não. Por aqui passaram gerações inteiras, aqui se viveram muitos momentos de ilusão e de glória, que são, como se sabe, faces irmãs da mesma moeda. A casa que, teimosa, insiste em manter-se de pé no meio deste quase-nada em que o Parque Mayer se transformou é um símbolo vivo desse tempo. Aqui mora ainda hoje o Mário Alberto, pintor e cenógrafo, anarquista e lutador, militante do prazer e sumo-sacerdote da vida. Com sorte poderíamos cruzar-nos com ele numa qualquer tarde – nunca de manhã, que essa fez-se para aplacar o corpo e preparar a alma para a noite que se seguirá – subindo ou descendo a Avenida, em passo lento mas firme e determinado, olhando as mulheres que passam.

    Zoot | Primavera 2006

    Ler Mais
  • Sal e Pimenta Open or Close

    O homem que ainda não desistiu de encontrar «um triângulo de quatro lados» chegou exactamente ao meio-dia, conforme combinado. Alberto Pimenta é dono de uma pontualidade afrodisíaca, o que é apenas um dos seus muitos pontos de confronto aberto com a sociedade portuguesa. Nascido no Porto em 1937, viveu na Alemanha durante dezassete anos e só continua português porque, pelo meio, houve o 25 de Abril. Garrett, Bocage, Eça, Pessoa, Mário de Sá Carneiro são algumas das suas referências culturais. Fazem parte da lista dos seus prazeres pessoais, assim como o Cavaleiro de Oliveira, António Sérgio, Camões, Aquilino, António José da Silva, Cesário Verde. Pelo estilo e pelos temas, considera que a literatura portuguesa contemporânea é um deserto, com alguns oásis: Herberto Helder, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, Vergílio Ferreira, Luiz Pacheco, José-Emílio Nelson e poucos mais. De Saramago acha que «tem coisas muito boas, mas abusa dos truques de estilo».

    Epicur | Junho 2006

    Ler Mais
  • Fados & Desgarrados Open or Close

    Fados & Desgarrados não é um simples livro de estreia de um autor recente. Isto porque nem o José Xavier Ezequiel é um autor recente no sentido mais rigoroso da expressão, nem estes Fados, pela sua estrutura e pela consistência que apresentam, têm as características habituais de uma «primeira obra».
    Trata-se, como afirmou Mestre Dinis Machado de «uma história revitalizada de ‘tristes, solitários e finais’, na expressão de Chandler depois recuperada por Osvaldo Soriano, e que foi durante muito tempo emblema do romance negro». Mas eu atrevo-me a dizer que é também algo mais do que isso.

    Apresentação de Fados & Desgarrados, de José Xavier Ezequiel | 2007

    Ler Mais
  • O estado do sítio Open or Close
    Com o País no estado em que está e a Europa no ponto aonde chegou, não vejo como é que alguém de bom senso consegue manter o optimismo. No entanto é isso que o (des)governo da nação continua a exibir,...
    Jornal do Fundão | 2.Ago.2012
    Ler Mais