Margem para Dúvidas

Alguns poemas | Estante Editora 1998

À flor das cidades

Viriato escreve como se estivesse de partida para mais um combate que vai perder. Como se interminavelmente esperasse a amada num bar da Havana velha sabendo que a amada não vai empurrar os batentes. Viriato sabe que a revolução é um lírio da Mesopotâmia. Na interminável espera, Viriato escreve, talvez em toalhas de papel. Mas não desespera.

+ À flor das cidades

Versos na margem da folha

Quem abra o livro e leia o prefácio afectuoso de Fernando Alves, não está preparado para um murro no estômago. Que não é um murro anónimo, tem título: Três Olhares sobre Manágua, um elogio à loucura nas noites claras de outro continente. (...) Mas neste livro de quase um cento de páginas, Viriato Teles visita a noite de muitas cidades, reencontra amigos enquanto desencontra revoluções e outros sonhos transgressores.

+ Versos na margem da folha

Outras paisagens

+  Outras paisagens

Os elefantes
escolhem sempre o lugar da morte
disse o pescador antigo
de olhos postos no mar sem fim.
O pescador nunca viu elefantes
nem leões
nem pássaros da Amazónia
mas sabe como é.
Como nós
em mil novecentos e setenta e cinco
a forçar de vez as garras
do desespero.

+ Outras paisagens

Cavaqueira

E era na tarde um fogo igual
a tantos de tantos mais um jogo
final de que afinal ninguém sabia.
Era uma tarde um fogo que arde
sem saber se animal se dono
hão-de vencer um rogo alarve um grito.
Ou então era saudade o que esperavas
conta-me histórias conta-me as cidades
se era verdade ou assim mesmo
nada mais.

+ Cavaqueira

Mais sugestões de leitura

  • Glossário básico skin Open or Close

    Como todas as tribos, como todas as culturas, o universo skinhead possui uma linguagem própria, nem sempre imediatamente compreensível pelos cidadãos comuns. Foi na Grã-Bretanha que tudo começou. Em Londres, Liverpool, Birmingham, Newcastle. E em Glasgow, na longínqua Escócia, onde no final dos anos 60 a havia a maior concentração de mods (antepassados próximos dos skins), reputados pela violência e pela sua organização em gangs. Daí que a boa parte do léxico skin seja derivado do inglês.

    O Independente | 16.Abr.1999

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  • Bom dia, tristeza Open or Close

    É uma cidade triste cheia de gente triste. Tão triste como o odor que se sente nas ruas, intenso e incomodativo. «Cheira a ciganos e a comunistas», explica-me Mihaela, com um sorriso igualmente triste. Como Viorel, Alexandru, Alma ou Teodor, Mihaela tomou parte activa na revolução de Dezembro e sente, agora, a desilusão própria de quem vê frustrados os seus sonhos. Uma viagem pela Roménia pós-comunista, em tempo das primeiras eleições livres. Ou quase.

    O Jornal | 1.Jun.1990

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  • Alberto Pimenta Open or Close

    Nasceu no Porto, viveu na Alemanha e está em Lisboa. Em 1977 deu-se em exposição numa jaula da aldeia dos macacos no Jardim Zoológico de Lisboa. Catorze anos depois colocou-se à venda, no Chiado, por conta de uma «divisão de recursos humanos do Estado». E catorze dias mais tarde fez um auto-de-fé de O Silêncio dos Poetas na Feira do Livro de Lisboa. De todos os seus livros, esse é aquele que os intelectuais dominantes mais levam a sério, e fazem mal. Deveriam ler também Labirintodonte, Os Entes e os Contraentes, Ascensão de Dez Gostos à Boca, Discurso Sobre o Filho-da-Puta, Terno Feminino, A Visita do Papa, Deusas Ex-Machina. E os outros, todos, que publica com a regularidade possível desde 1970.

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  • Crime e castigo Open or Close

    A notícia da detenção, em Londres, do antigo ditador chileno Augusto Pinochet tornou-se no principal acontecimento deste fim-de-semana – e por pouco não conseguiu secundarizar o discurso de duas horas e meia de Fidel Castro no comício de solidariedade com Cuba, em Matosinhos.

    RCS | 19.Out.1998

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