Não se pode viver sem Utopia

fotokcomb75h.jpg

Em meados dos anos 80, o Partido Socialista Revolucionário deu os primeiros passos para restituir à Esquerda o brilho e a criatividade que se haviam perdido na ressaca pós-revolucionária. O mensário Combate tornou-se, então, uma importante tribuna de debate de ideias, aberta a homens e mulheres de várias sensibilidades da Esquerda portuguesa não-alinhada. Entre outros méritos, está o de ter proporcionado a introdução de uma nova linguagem no léxico da esquerda portuguesa. Uma dúzia de anos mais tarde, o PSR foi a força política motriz do projecto do Bloco de Esquerda. Não se pode viver sem Utopia é uma colectânea de textos de diversos autores, publicados no Combate entre 1986 e 1998. E é também um pretexto para revisitar dois amigos que aqui fazem muita falta: Fernando Assis Pacheco e Júlio Pinto.

Não se pode viver sem Utopia | Colaborações de Alexandra Lucas Coelho, Ana Campos, António Gomes da Costa, Carlos Cunha, Eduarda Dionísio, Fernando Piteira Santos, Fernando Rosas, Francisco Louçã, Francisco Martins Rodrigues, Henrique Silvestre, João Mesquita, João Romão, José Manuel Morais, José Mário Branco, Júlio Machado Vaz, Júlio Pinto, Maria Irene Sousa Santos, Mário Dionísio, Mário Viegas, Madalena Barbosa, Miguel Vale de Almeida e Viriato Teles.

Antologia de textos publicados no Combate entre 1986 e 1998 | Edições Combate, 2008

In Não se pode viver sem Utopia | ed. Combate, 2008

Mais sugestões de leitura

  • Outras paisagens Open or Close

    Os elefantes
    escolhem sempre o lugar da morte
    disse o pescador antigo
    de olhos postos no mar sem fim.
    O pescador nunca viu elefantes
    nem leões
    nem pássaros da Amazónia
    mas sabe como é.
    Como nós
    em mil novecentos e setenta e cinco
    a forçar de vez as garras
    do desespero.

    Ler Mais
  • Macacos à solta nas ruas do mundo Open or Close

    Quem os ouve pela primeira vez não pode deixar de sentir um estremecimento prazenteiro. É impossível catalogar estes sons, simultaneamente tão estranhos e tão familiares, que revolvem o nosso imaginário misturando as lembranças de filmes antigos, histórias e memórias, tradições e sentimentos. À semelhança das filarmónicas tradicionais, preenchem qualquer ambiente festivo onde se encontrem, mas tal como qualquer jazzband vão sempre mais além na execução da música que dão a ouvir.

    Nota introdutória ao CD Macacos das Ruas de Évora | 2002

    Ler Mais
  • Sal e Pimenta Open or Close

    O homem que ainda não desistiu de encontrar «um triângulo de quatro lados» chegou exactamente ao meio-dia, conforme combinado. Alberto Pimenta é dono de uma pontualidade afrodisíaca, o que é apenas um dos seus muitos pontos de confronto aberto com a sociedade portuguesa. Nascido no Porto em 1937, viveu na Alemanha durante dezassete anos e só continua português porque, pelo meio, houve o 25 de Abril. Garrett, Bocage, Eça, Pessoa, Mário de Sá Carneiro são algumas das suas referências culturais. Fazem parte da lista dos seus prazeres pessoais, assim como o Cavaleiro de Oliveira, António Sérgio, Camões, Aquilino, António José da Silva, Cesário Verde. Pelo estilo e pelos temas, considera que a literatura portuguesa contemporânea é um deserto, com alguns oásis: Herberto Helder, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, Vergílio Ferreira, Luiz Pacheco, José-Emílio Nelson e poucos mais. De Saramago acha que «tem coisas muito boas, mas abusa dos truques de estilo».

    Epicur | Junho 2006

    Ler Mais
  • O grande poeta menor Open or Close

    Torrencial, apaixonado, firme, exuberante, truculento, corajoso. Qualquer destes adjectivos cabe em José Carlos Ary dos Santos, mas nenhum deles chega para qualificar plenamente o homem, o poeta, o militante. Em Ary, o todo é sempre mais do que a soma das partes, e estas nunca são estanques entre si: Ary foi o poeta que foi por ser o militante que era, e não poderia ser uma pessoa diferente sem trair tudo aquilo que constituía a sua própria razão de ser.

    Diário de Notícias | 18.Jan.2014

    Ler Mais