Mais sugestões de leitura

  • Silêncio, que vai falar um homem Open or Close

    Venho duma época em que Portugal era, dizia-se, dominado por três éfes: Fátima, o futebol e o fado. Trinta anos passados sobre a manhã de todas as esperanças, a diferença é que o futebol se transformou numa nova religião, cujos deuses, mitos e interesses coabitam tranquilamente com os de Fátima. Ao fado, muitos querem que reste não mais que a função puramente recreativa. Não é esse, nunca foi, o caso de Carlos do Carmo, e por isso a sua música, sendo fado, é também uma música do mundo. E sendo universal, continua genuína e generosamente lusitana.

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  • Os olhos da nossa infância Open or Close

    A nossa terra é o lugar onde nascemos, mas é também muitos outros: são os lugares onde vivemos, onde sofremos, onde amamos, onde somos felizes ou infelizes. Por isso, eu, que sou de Ílhavo, sou também de Lisboa, e do Porto, e de Havana, e de todas as cidades onde estive e que me deixaram marcas nos olhos, no corpo e na alma. O Zé António fez outros percursos, igualmente distantes. E manteve-se em certa medida mais ilhavense do que eu. Mas, no que aos caminhos da memória diz respeito, creio que as nossas histórias, embora diferentes no tempo, estão muito próximas no espaço. E muito daquilo que se passava na Rua Suspensa dos Olhos do Ábio de Lápara, passava-se de modo semelhante na Rua da Capela da minha infância. 

    Apresentação de A Rua Suspensa dos Olhos, de Ábio de Lápara | 2015

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  • Sal e Pimenta Open or Close

    O homem que ainda não desistiu de encontrar «um triângulo de quatro lados» chegou exactamente ao meio-dia, conforme combinado. Alberto Pimenta é dono de uma pontualidade afrodisíaca, o que é apenas um dos seus muitos pontos de confronto aberto com a sociedade portuguesa. Nascido no Porto em 1937, viveu na Alemanha durante dezassete anos e só continua português porque, pelo meio, houve o 25 de Abril. Garrett, Bocage, Eça, Pessoa, Mário de Sá Carneiro são algumas das suas referências culturais. Fazem parte da lista dos seus prazeres pessoais, assim como o Cavaleiro de Oliveira, António Sérgio, Camões, Aquilino, António José da Silva, Cesário Verde. Pelo estilo e pelos temas, considera que a literatura portuguesa contemporânea é um deserto, com alguns oásis: Herberto Helder, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, Vergílio Ferreira, Luiz Pacheco, José-Emílio Nelson e poucos mais. De Saramago acha que «tem coisas muito boas, mas abusa dos truques de estilo».

    Epicur | Junho 2006

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  • É preciso é criar desassossego Open or Close

    «(...) Como é que da política se chega à música e da música à consciência? Eh, pá, eu acho que as coisas podem estar ou não ligadas, depende do lado para onde estivermos virados. Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (...) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherezinhas’. Temos é que ser gente, pá! (...)»

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