Encontro imaginário com balanço positivo

b_500_400_16777215_00_images_actual_encimag2.jpg

«Foi mais um Encontro memorável pelos temas abordados e pelos intérpretes das personagens. Foi com enorme simplicidade e bom poder de comunicação que José Fernandes no Remexido, Nuno Artur Silva como Brecht e Viriato Teles incorporando Lincoln desempenharam os seus papéis», diz Helder Costa, a propósito do encontro imaginário que ontem se realizou n'A Barraca.

No balanço sucinto que faz questão de apresentar após cada Encontro, o encenador resume deste modo o que ontem se passou no histórico teatro do Largo Santos: «Durante cerca de 1 hora passamos pelas contradições politicas e ideológicas que viveram os personagens, submetidos à violência de várias guerras , injustiças, perseguições, exílios, assassinatos de presidentes dos Estados Unidos, e a sistemática e eterna luta contra o racismo nos campos do Mississipi e Missouri, constante berço de regressão social onde florescem e renascem Tea-partys

Os Encontros Imaginários são um projecto que Helder Costa lançou em Fevereiro de 2011 e que, por ocasião do segundo aniversário, em Fevereiro de 2013, se abriu «à participação da sociedade civil», isto é, a não-actores que, tal como eles, desenvolvem actividade na esfera pública, porém em áreas distintas: na política, na literatura, no jornalismo, no ensino, etc.

b_500_400_16777215_00_images_actual_encimag3.jpgPara o encontro de ontem, Helder Costa convidou Nuno Artur Silva, José Fernandes e Viriato Teles, que assumiram as personagens de Bertolt Brecht, Remexido e Abraham Lincoln. Com bom resultado, garante Helder Costa: «Foi mais um Encontro que cumpriu o seu objectivo: recorrer ao mundo da História e da Cultura para transmitir algumas pistas que permitam decifrar os acontecimentos sociais que criam o nosso descontentamento. Para que possamos e saibamos lutar contra os que fazem o Inferno das nossas vidas.»

O próximo Encontro Imaginário realiza-se a 14 de Julho e vai reunir em palco Miguel de Vasconcelos (interpretado pelo arquitecto João Paulo Bessa), Catarina da Rússia (pela realizadora Leonor Areal) e Robespierre (pelo sociólogo Filipe Faria). Mais informações no saite d'A Barraca.

Fotografias © Sandra Bernardo

Mais sugestões de leitura

  • Cântico de alegria e raiva Open or Close

    Em 2005, o Chile ainda tinha cinco presos políticos: Hardy Peña Trujillo, Claudio Melgarejo Chávez, Fedor Sánchez Piderit e Pablo Vargas López, encarcerados na vigência do primeiro governo democrático... por terem atentado, anos antes, contra a ditadura militar. Ao mesmo tempo, apesar de já não estar no poder, Augusto Pinochet ainda se passeava pelo mundo. Foi assim que, a partir de Santiago, o poeta Luís Ariasmanzo lançou um apelo à solidariedade de escritores de vários países. O resultado foi o manifesto poético El Verbo Descerrajado, uma antologia que contou com a participação de oito dezenas de poetas das Américas e da Europa.

    El Verbo Descerrajado
    Ediciones Apostrophes 2005

    Ler Mais
  • José Mário Branco Open or Close

    Poucos dias passados sobre o 25 de Abril, ele foi o primeiro a definir quais deviam ser os cânones da canção de intervenção, numa reunião de cantores que integraram o Colectivo de Acção Cultural, nascido no alvorar da revolução, e que eram quase todos os que vinham da canção de protesto que marcou os últimos anos da ditadura. O exemplo do que deveria ser feito, agora que o fascismo estava derrubado e a liberdade fora alcançada, apresentou-o José Mário Branco nesse dia. Chamava-se Alerta e marcou a estreia da canção-de-combate após a revolução.

    Ler Mais
  • Uma vida de risco(s) Open or Close

    Agora, o Relvas já é mais do que lenda. Ele é uma referência – porventura a mais irreverente, com certeza das mais relevantes – fundamental para quem quiser conhecer a evolução da banda desenhada em Portugal nos últimos 50 anos. E se, apesar de tudo, é hoje mais fácil para um jovem artista criar e divulgar o seu trabalho, isso em muito boa parte se deve ao Relvas – ao talento dele, sim, mas sobretudo à sua persistência homérica e à intransigência perante a mediocridade que sempre o acompanhou.

    Catálogo de Retrospectiva/Outra Perspectiva, de Fernando Relvas | 2017

    Ler Mais
  • Silêncios sem preço Open or Close

    Agora, António Ferra propõe-nos estes Silêncios Comprados. São três histórias de subúrbios e de gente igual a toda a gente. Neste livro há personagens que vivem «entalada[s] entre marquises de alumínio» em bairros onde os passeios «estão cheios de carros mal intencionados», há imigrantes ucranianos e brasileiros e sãotomenses, uma mulher mal-casada com um tecnocrata (o que até é capaz de ser um bocado pleonástico...), um cão à chuva, gente à procura dos significados do amor nas escadas intermináveis de um prédio de Lisboa. São gente sem rosto, mas com nome, afinal gente igual a toda a gente, com as mesmas angústias, os mesmos medos, as mesmas dúvidas.

    Apresentação de Silêncios Comprados, de António Ferra | 2007

    Ler Mais