Maior Que o Pensamento adiado uma semana

jaf_mqp1.jpg

Um problema técnico alheio aos autores e aos editores obrigou ao adiamento da publicação do primeiro volume de «Maior Que o Pensamento», que deveria ser distribuído com o Público de dia 26 de Abril. A mini-série documental, realizada por Joaquim Vieira, será publicada em dois discos com alguns extras, e o primeiro volume, "Uma História de Resistência", será posto à venda com o Público de domingo, 3 de Maio. O segundo volume, "Uma História de Liberdade", será distribuído a 10 de Maio.

O documentário inclui depoimentos inéditos de familiares, músicos e amigos, além de um depoimento de Maria de Lourdes Pintasilgo (candidata à Presidência da República em 1985, apoiada por José Afonso) gravado em Janeiro 1986, e uma gravação de Mário Viegas lendo textos de Zeca, em 1991. A lista de extras inclui ainda duas gravações realizadas por José Afonso em 1963 para a televisão alemã e dois textos de Viriato Teles especialmente para esta edição.

Nos textos que acompanham os dvd conta-se "Uma história de Resistência" e "Uma história de Liberdade", ambas com o mesmo protagonista: José Afonso, cujas palavras de diferentes épocas são aqui evocadas. Um conjunto de fotos, algumas inéditas, completa esta edição.

Expressamente para este documentário, Joaquim Vieira recolheu os testemunhos de diversos familiares e amigos de José Afonso, tais como Mariazinha Afonso dos Santos (irmã de Zeca), João Afonso dos Santos (irmão), Maria Helena Afonso dos Santos (filha), Maria Fernanda Cerqueira (prima), João Afonso (sobrinho), Arnaldo Trindade (editor discográfico), Rosarinho Mascarenhas (amiga de infância), António Santos Silva (amigo de juventude), Malangatana Valente (pintor), Eugénio Lisboa (poeta), Carlos Adrião Rodrigues (advogado), Jorge Luz (professor), Henrique Guerreiro (diretor de empresa), António Correia (ex-pároco de Palmela), Arturo Reguera (professor), Günter Wallraff (jornalista), Luís Filipe Rocha (realizador de cinema), Camilo Mortágua (revolucionário), Otelo Saraiva de Carvalho (dirigente militar e político em 1975), Adelino Gomes (jornalista), José Ribamar (médico), Jorge Abegão (sociólogo), António Vitorino de Almeida (compositor), Elfriede Engelmayer (professora universitária), Pedro Feytor Pinto (diplomata) ou Heitor de Vasconcelos (colecionador de discos).

Foram igualmente ouvidos diversos músicos que, de modos distintos e em diferentes épocas, privaram de perto do Zeca: Luís Góis, Rui Pato, Carlos Correia "Bóris", José Niza, José Jorge Letria, José Mário Branco, Vitorino Salomé, Sérgio Godinho, Carlos Alberto Moniz, Francisco Naia, Júlio Pereira, Luís Cília, Francisco Fanhais, Janita Salomé, Fausto Bordalo Dias, Benedicto García, Paco Ibañez, Luis Pastor, Pi de la Serra, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Outro ineditismo deste trabalho tem a ver com a história de uma canções, aqui contada em discurso directo pelos seus "protagonistas": Vítor Espírito Santo (“Chaimite”, soldador), Aníbal Rocha (“Bibas”, metalúrgico), José Fernandes Pina (metalúrgico) e António Borges (técnico de produção de energia), citados expressamente no tema Papuça

Mais sugestões de leitura

  • O direito à preguiça Open or Close

    «Face aos meios de produção modernos e à sua ilimitada potência reprodutiva, há que moderar a paixão extravagante dos operários pelo trabalho e obrigá-los a consumir as mercadorias que produzem.» Esta frase foi escrita há 125 anos por Paul Lafargue, revolucionário francês e genro de Karl Marx, num manifesto que fez furor e causou escândalo, tanto entre a burguesia como entre a classe operária desse tempo. Chamava-se O Direito à Preguiça e exaltava as virtudes do ócio e do lazer contra os malefícios do trabalho.

    Zoot | Outono 2009

    Ler Mais
  • O poder e o local Open or Close

    Os portugueses foram a votos, desta vez para eleger os representantes do chamado «poder local» – designação que só se compreende se aceitarmos que há poderes não localizáveis, o que é tanto mais verdade quanto maior é a sua dimensão.
    Por exemplo: alguém sabe onde fica o FMI? E o Banco Mundial, alguém lhe conhece uma agência que seja, ou mesmo uma simples caixa de multibanco? E no entanto ninguém duvida de que são eles, os donos do dinheiro, quem realmente manda no nosso destino colectivo, deixando para gente simples como António Guterres e Pinto da Costa a ilusão de uma autoridade que já não existe sequer nas super-esquadras.

    TSF | 17.Dez.1997

    Ler Mais
  • Minha cabeça estremece Open or Close

    Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
    Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
    Falo, penso.
    Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
    É sempre outra coisa,
    uma só coisa coberta de nomes. (...)

    Herberto Helder

    Ler Mais
  • Um velho espírito de Natal Open or Close
    No Natal, o Rossio transforma-se numa espécie de presépio gigante (...) onde os reis magos foram substituídos pelos agentes da Casa da Sorte e os pastores ganharam a forma de polícias sem rosto. Os meninos do presépio do Rossio andam pelas ruas do Metro a vender pensos rápidos, alimentando-se na esperança de uma estrela qualquer que os guie a novo destino. E São José, na encosta do Martim Moniz, aguarda pacientemente a chegada dos bêbados e das putas ...
    Se7e | 30.Dez.1981
    Ler Mais