Outros textos

Ficções e outras escritas dispersas. Selecção muito incompleta

Cantata em azul

Lembro-me das casas e das flores silvestres, do canto recatado à beira-ria por onde fugíamos à cavalgada na noite, das mulheres jovens que sorriam envergonhadas aos nossos devaneios. Lembro-me de como éramos belos e tontos, convencidos de que o mundo só avançava porque nós assim o desejávamos, crentes de que poderíamos fazer parar o tempo com as palavras mágicas do amor. Lembro-me de ouvir o rugido do mar e não ter medo. ...

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Três contos de reis

Quando lhe disseram que o trono era seu, nem queria acreditar. Havia tantos anos que sonhava com aquele momento, e agora que ele ali estava, sentia-se infinitamente pequeno, tanto que por instantes pensou que ia fraquejar. Então levantou os olhos na direcção de seu velho pai, e perguntou:
– Senhor, será que eu posso sentar-me sem medo nesse espaldar de tanta responsabilidade? ...

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Que há-de ser de nós?

Éramos muitos, mais de um milhão. Éramos jovens e pensávamos que mudar o mundo era uma tarefa ao alcance das mãos. A poesia estava na rua, ali mesmo ao nosso lado, e a revolução era para já.

Combate | 1996

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A quinta dimensão

Era o mês de Outubro, em Lisboa e no resto do mundo. Nessa manhã de pouco sol, Aristides acordou com vaga sensação de que a Terra inteira estava a enlouquecer à sua volta.

Se7e | 1988

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Mais sugestões de leitura

  • Cantigas de antes e depois de AbrilOpen or Close

    «Grândola, vila morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade...» Vinte minutos passados sobre a meia-noite, os versos iniciais da canção de José Afonso fizeram-se ouvir por todo o país. Através do programa Limite, a Rádio Renascença entrava para a história como a estação de rádio que transmitia a confirmação para a saída dos quartéis dos militares que se preparavam para derrubar a mais velha ditadura da Europa. Era o princípio do fim de 48 anos de um regime político obtuso, nascido entre gritos e lágrimas, mas destinado a terminar no meio de uma grande festa.

    Introdução a E Depois do Adeus, antologia de canções | 2007

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  • A liberdade, aindaOpen or Close

    A urgência das palavras e dos cantos, a premência das vontades e dos sentidos, porque tudo era realizável, e nós sabíamos. Naqueles dias, era assim. (...) De Abril, diz-se, já resta pouco. Mas ainda assim não tão pouco. Porque há vontades que não se vergam, paixões que nunca acabam, vivências que permanecem. E há a liberdade, ainda, origem e razão de ser deste grupo e da música que ele faz. De todas as esplendorosas criações que a Revolução dos Cravos permitiu, a Brigada Victor Jara é com certeza uma das mais duradouras. E quer-me parecer que assim será, ainda, por muitos anos mais. Porque a massa de que esta Brigada é feita vem de longe e vai para longe. E nós com ela.

    Incluído na colectânea Ó Brigada, de Brigada Victor Jara | 2015

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  • Cantando e Rindo - O humor na MPPOpen or Close

    Está comprovado cientificamente que o sentido de humor tem numerosos benefícios para a saúde física e mental dos humanos: «Quando rimos, há uma reacção química no nosso cérebro que proporciona uma sensação de bem-estar, clareza de ideias e uma atenuação da dor», explicam os médicos. O humor também reduz o stress e provou-se que dez minutos de gargalhadas têm sobre o nosso corpo o efeito de cem voltas numa máquina de exercícios de ginásio. Os cientistas afirmam ainda que algumas células do sistema imunitário são activadas com o riso, que também ajuda à sua reprodução mais rápida.

    Cantando e Rindo - O Humor na MPP
    CMA 2002

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  • Um golpe de mestreOpen or Close

    Não há melhor meio de desvalorizar uma mensagem do que descredibilizar o mensageiro. E é isso, em primeiro lugar, que sobressai do triste folhetim natalício desenvolvido a partir do alegado currículo inventado do não menos alegado professor Artur Baptista da Silva.

    Jornal do Fundão | 10.Jan.2013

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