Crónicas da RCS

Selecção de crónicas ditas no Rádio Clube de Sintra 1998-99

História biodegradável

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O cidadão José Hermano tem um pensamento profundo sobre o regime que vigorou em Portugal até 25 de Abril de 1974. Conhece-se o cismado rigor com que jura pela alma dos que já lá tem que Camões pisou aquelas pedrinhas da gruta de Macau.

RCS-GA | 25.Fev.1999

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In-seguranças

As discussões em volta da cada vez mais premente questão da segurança – ou da falta dela – deram origem, na última semana, a mais um episódio da cada vez mais divertida guerra de comadres entre o PS e o PSD.
Desta vez foi em Oeiras, com os moradores de um bairro de classe média a ameaçarem criar milícias populares se continuar a verificar-se o surto de assaltos que têm ocorrido nos últimos tempos.

RCS | 19.Jan.1999

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As palavras e os números

+  As palavras e os números

A celebração do cinquentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi, como era de esperar, motivo para as mais diversas intervenções de figuras mais ou menos públicas. O Prémio Nobel José Saramago não deixou passar a oportunidade e, como era de esperar de um humanista atento, aproveitou o discurso perante a Academia Sueca para lembrar que quase metade da riqueza do mundo está nas mãos de 225 impérios financeiros, enquanto mais de metade da população do planeta vive com carências elementares.

RCS | 16.Dez.1998

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Perompomperos e outros olés

+  Perompomperos e outros olés

Há um ano, uma centena de auto-intitulados «patriotas anti-espanhóis» manifestaram-se, no dia 1 de Dezembro, contra o iberismo, Miguel de Vasconcelos e a Volta a Espanha em Bicileta. «Antes morto que espanhol», apregoavam então os manifestantes, entre os quais se encontravam alguns africanos, presume-se que de língua oficial portuguesa.

RCS | 2.Dez.1998

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Luta de clics

+  Luta de clics

O ministro Sousa Franco anunciou esta semana ao mundo que o elevado nível de vida dos portugueses é uma realidade estimável pela quantidade de telemóveis em circulação. Com Sousa Franco, ficámos a saber que o mundo não se divide  em classes, mas em redes telefónicas.

RCS | 17.Nov.1998

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Tentações assepticamente correctas

+  Tentações assepticamente correctas

A lógica do «politicamente correcto» torna-se cada vez mais sinónimo daquilo a que já se chama o «pensamento único». Na prática, trata-se de um filho bastardo do fim da guerra fria ou, se quisermos ser mais rigorosos, é uma submissão descarada à «nova ordem» que o neo-liberalismo dominante pretende impôr ao mundo.

RCS | 8.Nov.1998

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Crime e castigo

A notícia da detenção, em Londres, do antigo ditador chileno Augusto Pinochet tornou-se no principal acontecimento deste fim-de-semana – e por pouco não conseguiu secundarizar o discurso de duas horas e meia de Fidel Castro no comício de solidariedade com Cuba, em Matosinhos.

RCS | 19.Out.1998

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Polícia de rosto humano

A Associação Profissional da Polícia revelou na semana passada que dez por cento dos mais de 20 mil agentes da PSP estão a ser alvo de processos disciplinares. Significa isto que um em cada dez agentes da autoridade não cumpre as leis de que, por definição, deveriam ser os guardiões.

RCS | 6.Out.1998

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Mais sugestões de leitura

  • Insondáveis designíosOpen or Close

    O Papa foi ver um espectáculo de Bob Dylan. Poucos anos atrás, uma notícia deste tipo seria, no mínimo, uma brincadeira de gosto duvidoso. Na melhor das hipóteses (isto é, se a notícia fosse verdadeira) seria motivo de manchete em quase todos os jornais do planeta. O Papa? Num espectáculo de Bob Dylan? Eu sei que o mundo está a mudar e que as verdades absolutas de ontem deixaram de o ser às primeiras horas da manhã de hoje. Mas, ainda assim, não deixo de sentir um estremecimento ao ver Sua Santidade ouvindo «Knockin' On Heaven's Door» como se escutasse «Queremos Deus Homens Ingratos» ou o clássico «Miraculosa, Rainha dos Céus».

    TSF | 1.Out.1997

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  • As razões profundasOpen or Close

    0 triunfo da revolução cubana e a chegada apoteótica de Fidel Castro ao poder marcaram a viragem maior do destino da ilha, e tornaram-se símbolos da utopia mais apaixonada da segunda metade do século XX.
    Nesses dias, Havana foi uma festa.

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  • Alberto PimentaOpen or Close

    Nasceu no Porto, viveu na Alemanha e está em Lisboa. Em 1977 deu-se em exposição numa jaula da aldeia dos macacos no Jardim Zoológico de Lisboa. Catorze anos depois colocou-se à venda, no Chiado, por conta de uma «divisão de recursos humanos do Estado». E catorze dias mais tarde fez um auto-de-fé de O Silêncio dos Poetas na Feira do Livro de Lisboa. De todos os seus livros, esse é aquele que os intelectuais dominantes mais levam a sério, e fazem mal. Deveriam ler também Labirintodonte, Os Entes e os Contraentes, Ascensão de Dez Gostos à Boca, Discurso Sobre o Filho-da-Puta, Terno Feminino, A Visita do Papa, Deusas Ex-Machina. E os outros, todos, que publica com a regularidade possível desde 1970.

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  • Cantata em azulOpen or Close

    Lembro-me das casas e das flores silvestres, do canto recatado à beira-ria por onde fugíamos à cavalgada na noite, das mulheres jovens que sorriam envergonhadas aos nossos devaneios. Lembro-me de como éramos belos e tontos, convencidos de que o mundo só avançava porque nós assim o desejávamos, crentes de que poderíamos fazer parar o tempo com as palavras mágicas do amor. Lembro-me de ouvir o rugido do mar e não ter medo. ...

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