Margem para Dúvidas

Alguns poemas | Estante Editora 1998

À flor das cidades

Viriato escreve como se estivesse de partida para mais um combate que vai perder. Como se interminavelmente esperasse a amada num bar da Havana velha sabendo que a amada não vai empurrar os batentes. Viriato sabe que a revolução é um lírio da Mesopotâmia. Na interminável espera, Viriato escreve, talvez em toalhas de papel. Mas não desespera.

+ À flor das cidades

Versos na margem da folha

Quem abra o livro e leia o prefácio afectuoso de Fernando Alves, não está preparado para um murro no estômago. Que não é um murro anónimo, tem título: Três Olhares sobre Manágua, um elogio à loucura nas noites claras de outro continente. (...) Mas neste livro de quase um cento de páginas, Viriato Teles visita a noite de muitas cidades, reencontra amigos enquanto desencontra revoluções e outros sonhos transgressores.

+ Versos na margem da folha

Outras paisagens

+  Outras paisagens

Os elefantes
escolhem sempre o lugar da morte
disse o pescador antigo
de olhos postos no mar sem fim.
O pescador nunca viu elefantes
nem leões
nem pássaros da Amazónia
mas sabe como é.
Como nós
em mil novecentos e setenta e cinco
a forçar de vez as garras
do desespero.

+ Outras paisagens

Cavaqueira

E era na tarde um fogo igual
a tantos de tantos mais um jogo
final de que afinal ninguém sabia.
Era uma tarde um fogo que arde
sem saber se animal se dono
hão-de vencer um rogo alarve um grito.
Ou então era saudade o que esperavas
conta-me histórias conta-me as cidades
se era verdade ou assim mesmo
nada mais.

+ Cavaqueira

Mais sugestões de leitura

  • Era uma vez em HavanaOpen or Close

    Era uma vez um povo e uma ilha, centro de um mundo encantado no coração das Caraíbas. Era uma vez uma gente nascida do cruzamento de outras gentes, fruto da inevitável mistura de raças e de culturas produzida pelos navegadores antigos. Era uma vez uma cidade e uma revolução.

    Ler Mais
  • Isabel e a medalhaOpen or Close

    Nasceu no Barreiro, numa família marcada pelos valores da liberdade e do antifascismo. O pai, João do Carmo, era poeta e activista dos círculos locais de combate à ditadura. Dele herdou, talvez, o amor pelo sonho e o sabor da utopia, que a acompanham desde sempre. Tal como a vontade de ser útil, e participante activa nas lutas sociais e políticas do seu tempo.

    Sic 10 Horas | 5.Mai.2004

    Ler Mais
  • O pássaro da ilhaOpen or Close

    O Zeca é um pássaro. Ele canta, encanta, inventa e reinventa, sem nunca cansar quem o ouve – e que o vê. Porque ver o Zeca é tão importante como ouvi-lo. Há quem o compare a Tom Waits, mas em palco ele faz sobretudo lembrar Jacques Brel – na entrega, no modo inteiro como interpreta as suas canções de amor e mágoa, esperança e desencanto e saudades de um futuro em que não desiste de acreditar, mesmo se o presente tantas vezes parece empenhado em desmenti-lo.

    Introdução ao espectáculo de José Medeiros no Teatro Micaelense | 2007

    Ler Mais
  • A princesa das ilhasOpen or Close

    A música de um lugar reflecte sempre as características do povo que nele habita, e talvez por isso as toadas açorianas tenham por regra um toque de nostalgia muito próprio das ilhas, misturado com a força de quem se habituou desde sempre a conviver de um modo singular com as forças da natureza. (...) É essa essência que Helena persegue e alcança neste disco. À voz clara da cantora acresce a riqueza dos arranjos, vocais e instrumentais, a excelência da execução musical, o rigor da produção – a cargo de um músico sobre quem a proximidade familiar me impede de tecer grandes considerações, de resto desnecessárias: o trabalho está aí para que cada um possa avaliar. Basta saber ouvir.

    Introdução ao CD EssênciasAcores, de Helena Oliveira | 2011

    Ler Mais