Os Dias Cantados na Antena 1

b_500_400_16777215_00_images_actual_ja_vamp500.jpg

As canções que Portugal cantou às escondidas antes do 25 de Abril, e com as quais depois celebrou a liberdade podem ouvir-se a partir de hoje nas manhãs da Antena 1. Os Dias Cantados é uma nova rubrica da rádio pública, através da qual se evocam as canções que foram a banda sonora da Revolução dos Cravos: até ao dia 25 de Abril, uma primeira série de 40 emissões recorda as grandes canções da resistência à ditadura; na segunda série, a transmitir após o dia 25 de Abril, serão apresentadas algumas das músicas mais marcantes do período revolucionário; e uma terceira série, a partir de Junho, apresentará versões novas destas canções.

Por curiosidade  e também, porque é de elementar justiça fazê-lo  recorde-se que Os Dias Cantados foi, em 1977, o título de um livro escrito, justamente, por um dos protagonistas da época (e da épica) a que se refere esta rubrica: José Jorge Letria, que esse ano editou na Caminho uma colectânea de poemas com este nome e prefácio de José Carlos Ary dos Santos.

A primeira e segunda séries deste programa têm autoria e edição de António Macedo e Viriato Teles, a terceira será realizada por João Carlos Callixto.

"Os Vampiros", na versão original de José Afonso, é a primeira canção da primeira série de Os Dias Cantados, rubrica diária que vai estar "no ar" até dia 25 de Abril. Para ouvir todas as manhãs, na Antena 1, após o noticiário das 9h30. Pode ouvir todas as emissões aqui, em podcast.

Os Dias Cantados - 1ª série
Autoria e edição: António Macedo e Viriato Teles
Locução: António Macedo
Sonorização: António Antunes
Emissão de 2ª a 6ª feira, após o noticiário das 9h30, na Antena1

Mais sugestões de leitura

  • Onde é que está o 25 de Abril?Open or Close

    Desde já confesso: sou culpado. Culpado de ter vivido intensamente o 25 de Abril e os dias levantados que se seguiram. Estava em Ílhavo, quando tudo começou, mas ninguém é perfeito. Era jovem e pensava. Éramos imortais, e não queríamos perder tempo. Queríamos o mundo, e tínhamos o mundo. Em ano e meio, fizemos de um país tristonho uma pátria onde valia a pena sonhar. E sonhámos, e vivemos horas que ninguém nos tira. Depois, a vida real impôs-se e mostrou-nos que há um preço para tudo, até para os sonhos. Pagámos por isso, e muitos de nós continuam a pagar. E, afinal, qual é o preço da nossa culpa? Quisemos ser felizes. E isso é crime?

    Ler Mais
  • O homem que queria ser comumOpen or Close

    Não fosse a intervenção do dr. Salazar e provavelmente a obra de José Afonso não teria atingido a dimensão que alcançou e que fez dele um dos grandes vultos da música popular do século XX. Dito deste modo, pode soar a provocação. Mas a verdade é que foi por ter sido expulso do ensino, por ordem do governo da ditadura, que o criador de «Grândola» se profissionalizou como músico e passou a gravar com regularidade. Deus a escrever direito por linhas ínvias, diriam os crentes. Curiosas ironias da História, dirão os outros.

    QI | Diário de Notícias | 28.Abril.2012

    Ler Mais
  • Cantigas de antes do MaioOpen or Close

    «Quando se caminha para a frente ou para trás, ao longo dos dicionários, vai-se desembocar na palavra Terror», escrevia, então, Herberto Helder. Nesse tempo de silêncios são poucos os artistas que se erguem contra esta mansidão angustiada. (...) Fora de jogo, dispostos a arriscar e com vontade de abrir novos caminhos, meia dúzia de vozes isoladas fazem-se ouvir em lugares diferentes e de modos diversos: a poesia de Manuel Alegre e Fernando Assis Pacheco, a partir de Argel e Nambuangongo; as vozes claras de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, em Coimbra; José Mário Branco e Luís Cília, no exílio de Paris. E José Afonso, professor de liceu, cantor nas horas vagas e activista por conta própria.

    Introdução à reedição em CD de Baladas e Canções, de José Afonso | 1997

    Ler Mais
  • Uma esperança na escuridãoOpen or Close

    Há quem diga que é um prenúncio do fim do mundo, há quem pense que se trata de castigo divino, há quem ache que a culpa é da crise económica global. Não, não estou a falar do terramoto do Chile, nem dos massacres da Nigéria, nem da interminável guerra do Iraque, nem sequer dos sucessivos escândalos que ameaçam transformar Berlusconi no mais hilariante sucessor de Boris Yeltsin no anedotário europeu. Refiro-me antes a essa espécie de loucura branda que parece ter tomado conta do mundo e faz com que a humanidade aceite como naturais as mais incríveis aberrações sociais, políticas e económicas.

    Zoot | Primavera-Verão 2010

    Ler Mais